É preciso incentivar brasileiro a conhecer o País, diz Lula

Para presidente, receptividade brasileira pode compensar deficiências do setor

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h48

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 13, em discurso no lançamento do Plano Nacional de Turismo 2007-2010, que "é preciso provocar os brasileiros a conhecerem o Brasil e (é preciso) desenvolver o turismo interno". Em solenidade em um hotel de Brasília, Lula fez um discurso de improviso, dizendo que o turismo é mais "uma questão de espírito" e que "o brasileiro, por sua boa receptividade, tem condições de compensar as deficiências no setor"."Esse negócio de que tem que falar inglês, francês e espanhol é muito bonito, mas qualquer pessoa simples, no País, consegue conversar com mímica. Todo mundo é artista de teatro e vai conseguir explicar para o turista", disse o presidente, rindo. "Viajo muito pelo mundo e posso dizer que somos um povo muito especial", acrescentou. Ele disse que o governo brasileiro precisa incentivar iniciativas no setor de turismo que, no curto prazo, podem não trazer retorno financeiro e também parcerias com empresas estrangeiras e governos, especialmente do Mercosul, para facilitar o intercâmbio comercial.O presidente observou, porém, que prefeituras e Estados precisam resolver problemas básicos, como saneamento urbano, se quiserem receber turistas: "Não pensem que turista gosta de favela, turista gosta de monumentos históricos, museus e restaurantes bons. Quando tiver turismo ideológico, a gente mostra a desgraceira que alguns gostam de ver."O presidente chegou a contar que ele próprio, no passado, quando recebia "um bom salário de metalúrgico, mas não tinha incentivo para viagens de turismo com a família", não costumava viajar de avião e, quando o fazia, recusava a comida de bordo "com medo de vomitar."Em seguida, disse que as mulheres precisam convencer os maridos a viajarem pelo País: "Se a mulher não chama o marido de benzinho, o marido não vai (viajar), bota o cuecão (uma espécie de short)."Ainda no discurso a favor do desenvolvimento do turismo, Lula reclamou até dos novos modelos de fitas do Senhor do Bonfim (Bahia), por serem "sintéticas e difíceis de saírem do braço". Ao Ministério Público o presidente acusou de tentar impedir publicidade do governo de incentivo ao turismo. JurosAlém disso, o presidente pediu aos empresários do setor "juros baixos" para os pacotes de turismo. Lembrou que os empresários "têm de facilitar" o desenvolvimento da área. Lula citou o bom momento que a economia vive. "Tem gente que até saudade da inflação tem porque ganhava dinheiro com ela", comentou. E avisou: "agora, quem quiser ganhar dinheiro, vai ter de trabalhar".Segundo Lula, esta "é a primeira vez que o governo trata de política econômica sem crise". Para ele, a hora é de planejar o futuro. "Antes, o paciente estava na UTI, agora podemos discutir política econômica sem sobressaltos", comentou. E questionou: "quem imaginava que íamos chegar em junho de 2007 com US$ 140 bilhões de reservas?". Lula salientou ainda que o governo não precisa mais falar de FMI, de Clube de Paris, "porque não devemos mais nada a eles".Em sua fala, Lula salientou ainda que o turismo já é o quinto principal produto de exportação do país e brincou com os empresários do setor automobilístico, alertando que eles poderão perder o quarto lugar para o turismo. Disse ainda que o setor rendeu R$ 29,6 bilhões em 2006, 29% a mais do que em 2005. Segundo ele, "o país não pode se acomodar com os bons resultados alcançados". Ele ressaltou que quer colocar o turismo na cesta básica de consumo.

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