Fabiola Gimenes/ Divulgação
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'Recuperação do emprego será mais contundente em 2020', diz economista

Para Cosmo Donato, da LCA Consultores, mesmo com queda da desocupação ainda lenta este ano, trabalhadores conseguirão migrar para empregos melhores

Entrevista com

Cosmo Donato

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2020 | 13h17

O economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, está otimista com as perspectivas para o mercado de trabalho neste ano, apesar de 2019 ter fechado com 12,6 milhões de desempregados no País, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira, 31, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa média de desemprego no ano passado foi de 11,9%, a menor marca desde 2016. Ele espera um recuo para 11,3% este ano.

Donato acredita numa recuperação mais contundente do emprego este ano, com a geração de postos de melhor qualidade, com carteira assinada. Na sua avaliação, o desemprego deve permanecer ainda em níveis elevados em 2020 e recuar em ritmo lento. “Mas é preciso olhar para além da taxa de desocupação para conseguir qualificar a melhora do mercado de trabalho, principalmente no aumento do emprego com carteira assinada esperado para 2020 em relação às demais posições.” A seguir, os principais trechos da entrevista.


Como o sr. avalia a queda da taxa de desemprego, aumento da renda, da massa de salários, mas ainda o grande número de pessoas desocupadas em 2019?

Estamos num momento de saída de crise, então boas notícias no mercado de trabalho aparecem ao lado de notícias não tão boas. Mas, em linha gerais, estamos com um mercado de trabalho melhor do que tínhamos anteriormente. Houve alta do número de ocupados e melhora na qualidade do emprego por causa do avanço do emprego com carteira assinada. Ele ainda não é predominante na geração de empregos, mas tem ganhado participação e isso deve persistir em 2020.


Por que a taxa de desemprego cai lentamente?

A taxa de desemprego não caiu tanto porque o mercado de trabalho tem grande contingente procurando emprego. Grande parte é de pessoas que antes da crise não precisavam estar no mercado, como estudantes que ingressaram no mercado para financiar seus estudos, pessoas da família que precisam ajudar a complementar a renda do domicílio, por exemplo. Tudo isso contribui para que o número de pessoas procurando emprego seja bastante elevado. E  isso mantém a taxa de desemprego num patamar bastante alto. Por isso, ela cai de forma mais lenta e gradual. Mesmo com uma taxa de desemprego tão elevada, o número de ocupados  é recorde há bastante tempo.


Quantos ocupados temos hoje?

Temos  94,5 milhões de ocupados. Esse nível está 3,5% acima do período pré-crise. Isso mostra que o mercado de trabalho está melhorando. Por mais que a taxa de desemprego ainda seja alta, está havendo uma melhora por dentro.


Mas o número de desalentados em 2019 ficou praticamente igual ao do ano anterior. Isso significa que a melhora ainda é precária do mercado de trabalho?

Eu não diria que a melhora é precária. Estamos há algum tempo com a população ocupada crescendo bastante. Começamos a ver números do Caged acusando a geração de empregos com carteira assinada há alguns meses, de forma bastante importante. Só que alguns reflexos da crise persistem e é  algo que vai demorar para se resolver. Vamos ver a taxa de desemprego cair para patamares mais baixos muito antes desses indicadores diminuírem. Os desalentados deixaram de procurar emprego depois de muitas tentativas no mercado de trabalho e a conjuntura para essas pessoas continua bastante desafiadora. A concorrência para as pessoas que não conseguem emprego há muitos anos continua muito acirrada. É natural num contexto de desemprego elevado que o desalento demore mais para se reduzir em relação a outros indicadores do mercado e trabalho.


Qual a perspectiva do mercado de trabalho para este ano?

A taxa média de desocupação fechou o ano em 11,9% e eu espero que ela caia para 11,3% este ano. Continua sendo uma queda bastante lenta. Mas diferente de anos anteriores, espero que a qualidade do emprego seja melhor.


Por causa de aumentos de salário?

Não nesse aspecto. Não há tanta pressão para negociação salarial por causa do grande estoque de desocupados. Além disso, há muitos salários indexados ao salário mínimo. Não está havendo ganhos reais. A melhora não é do ponto de vista de as pessoas ganharem mais, mas da qualidade do emprego. Se na saída da crise, por exemplo, as pessoas ocupavam uma posição mais precária, faziam bicos, agora aumentaram as chance de elas se reempregarem com carteira assinada. Não necessariamente que vá ganhar mais, mas a qualidade do emprego nesse sentido será melhor.


Qual é a previsão para o salário médio este ano?

Esperamos um ganho real de mais de 1%, não porque os trabalhadores tenham dissídios acima da inflação, mas porque conseguirão migrar para empregos de qualidade melhor.


O sr. está  otimista?

Estou otimista para a recuperação do mercado de trabalho e reforço que a recuperação será mais contundente em 2020, apesar do desemprego permanecer em patamar elevado e que a sua queda será lenta. É preciso olhar para além da taxa de desocupação para conseguir qualificar a melhora do mercado de trabalho, principalmente no aumento do emprego com carteira assinada em 2020 em relação às demais posições.

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