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'É preciso sair da zona de conforto e se assustar'

Para crescer na carreira, o italiano Vicenzo di Giorgio, de 41 anos, defende que é preciso sair da zona de conforto para se assustar com os desafios, pois são eles que impulsionam o desenvolvimento. Ele também aconselha que as pessoas não tenham pressa para subir na carreira, mas que façam suas tarefas da melhor maneira e tratem bem todos aqueles com quem atuam, de colegas de trabalho a fornecedores e clientes. Hoje, Giorgio é presidente e CEO para a América Latina da Onda Mobile, criada em 2003 na Itália e que fabrica mini modens e aparelhos celulares.

Entrevista com

/C.M., O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h09

Como foi o seu começo?

Antes da Onda, trabalhei ao longo de 13 anos na TIM. Minha formatura em engenharia elétrica (pela Facoltà di Ingegneria Elettrica da Università degli Studi di Palermo) foi em 1996, mas na fase final dos estudos eu fiz um trabalho de conclusão de curso com a TIM, envolvendo tecnologia de celular. A empresa gostou muito e me contratou. Comecei na equipe de vendas, mas elaborando projetos para o mercado corporativo. Depois comecei, ainda na Itália, a trabalhar com serviços de valor agregado. E, posteriormente, é que fui para o exterior.

Quando foi?

No ano 2000, eu participei do start up da TIM no Peru como gerente de serviços de valor agregado. Foi um pequeno, mas ótimo laboratório, porque é um país pequeno, em desenvolvimento. Foi uma boa experiência, tanto para as pessoas - ir para um outro país -, quanto para a empresa, que, com os resultados obtidos, decidiu continuar investindo na América Latina, e também no Brasil, para onde eu vim pela TIM em 2001. Fiquei até 2005. Aqui, a empresa investiu para obter licenças com tecnologia GSM, foi a primeira a ter tecnologia digital de verdade. Eu tive a sorte de participar desse processo.

Como foi a ida para a Onda?

Em 2009, a Onda, que era cliente da TIM - e por isso me conhecia -, estava procurando um executivo para ser administrador, de preferência italiano, que conhecesse não somente o português, mas também o espanhol, que pudesse ficar na América Latina, que a conhecesse como a Itália e estivesse por dentro do mercado brasileiro. Foi estranho, pois parecia que não era o job description que estava sendo lido para mim, mas meu currículo. Então, foi isso, saí da TIM para a Onda e saí da Itália para voltar para o Brasil.

Assustou trocar uma empresa grande por outra menor?

Sim, assustou, mas acho que o crescimento de uma pessoa passa sempre pelo que assusta. A mesma emoção, de sentir medo, eu tive quando fui para o Peru, porque eu não conhecia o país, não sabia como era a vida lá. Era a mesma empresa, mas saí do conforto da Itália para ir para um país novo. Também fiquei assustado quando vim para o Brasil pela TIM. A mesma coisa senti ao sair da TIM para uma companhia menor, mas tinha um desafio importante: eu não era o presidente da TIM, era um dos diretores, e na Onda eu ira poder gerenciar tudo, 100%. Sugiro aos jovens que tentem se emocionar, se assustar, sair um pouco da zona de conforto para crescer pessoal e profissionalmente.

Mais alguma sugestão?

Algumas pessoas, para fazer carreira mais rapidamente, podem maltratar alguém, agir de uma forma que não é a melhor, a mais apropriada e justa, tudo para ter um ganho naquele ano. Mas depois terá um retorno negativo muito pior daquilo que ela ganhou. É bom pensar, por exemplo, que na Europa, já aumentou o número de anos necessários para a aposentadoria. E o mesmo deverá ocorrer por aqui. Então, começa-se a trabalhar com cerca de 25 anos e trabalha-se aí por 40/45 anos. É muito tempo. E tudo aquilo que se faz, depois sempre retorna. Trabalhar adequadamente com colegas, clientes ou fornecedores, dá um retorno positivo. Pode ser até 15, 20 anos depois. Do mesmo jeito, qualquer atitude errada, também volta.

O foco é o trabalho, então?

É. Não se preocupar em crescer na carreira, mas em trabalhar direito, porque tudo aquilo que é bem feito, um dia volta. Eu tenho vários casos de ex-funcionários da TIM que agora compram de mim. Graças a Deus eu nunca os magoei. Imagina se você trata muito mal o funcionário e depois ele vira seu cliente. Tratar bem, falar bem não significa ser fraco. Você pode chamar a atenção, mas da forma mais educada possível. Explicar que há um erro, onde ele está e como deveria ter atuado. Tudo volta, principalmente para quem trabalha no mesmo ramo por muito tempo.

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