Nilton Fukuda/Estadão
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'É preciso um seguro para ajudar na transição', diz economista

Para Sérgio Firpo, governo deve elaborar alguma política social que possa apoiar aqueles que buscarem por um emprego no pós-pandemia

Entrevista com

Sérgio Firpo, professor do Insper

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 22h21

A taxa de desemprego vai continuar alta, principalmente quando a economia der mais sinais de retomada e os desalentados voltarem a buscar vagas. Para o professor do Insper, Sérgio Firpo, especialista em mercado de trabalho, é preciso criar um “seguro” para ajudar na transição do pós-pandemia do coronavírus. Veja trechos da entrevista:

Como avalia o último Caged?

Um dos dados mais preocupantes é o número de pessoas que não têm interesse em buscar emprego. Dada a dificuldade, estão desalentadas. Muitos têm sobrevivido com o auxílio emergencial e até estão melhores agora, em termos de renda, do que antes.

O que vai ocorrer quando o auxílio diminuir ou acabar?

As pessoas vão voltar a procurar emprego e não vai ter vagas para todos. A taxa de desemprego será ainda maior.

Como amenizar esse quadro?

Nosso problema é a alta informalidade, em parte pela rigidez do mercado de trabalho que proíbe a redução de salários em contratos formais. Isso vai fazer com que, na retomada, inicialmente as vagas serão informais e só mais para frente poderão ser formalizadas. Vai ter muita gente sem capacidade de gerar renda, e o País precisaria ajudá-las nessa transição.

De que forma?

É preciso uma política social que permita à massa que vai demorar a achar emprego sobreviver. Deveria ser criado um tipo de seguro para as oscilações da renda – o trabalho informal um dia está bem, no outro não. Hoje tem Bolsa Família, auxílio emergencial, mas não tem algo que compense essa oscilação que leva a pessoa a entrar e sair do status de pobreza.

Como seria esse seguro?

É complicado ter uma política social única. O Renda Mínima deveria ter outro programa associado, transitório, com adaptação para o mercado de trabalho. Mas acredito que esse tipo de programa ficará para depois, pois a ideia do governo é turbinar o Bolsa Família e arrumar um espaço fiscal sem furar o teto de gastos. Talvez ele não fure, mas caia da bicicleta.

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