É proibido investir no Brasil

A novidade parecia muito boa para a economia e a indústria brasileira, mas ficou a meio caminho. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou em entrevista ao Estado, nesta quinta-feira, que o governo vai reduzir impostos que incidem sobre investimentos privados de longo prazo. O objetivo é atrair recursos para obras de infraestrutura, como as hidrelétricas de Belo Monte e do rio Madeira. A proposta tem o teor de uma promessa, mas será cumprida nos próximos meses, ainda neste governo, afirma o ministro. A ideia foi recebida com ressalvas. No fundo, o governo pretende atenuar as criticas crescentes à concentração no BNDES de investimentos alimentados por títulos do Tesouro e da dívida interna.

ALBERTO TAMER, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Tudo bem, mas, como dizia Keynes, "a longo prazo, estaremos todos mortos". Não há nada em relação ao presente. A indústria e a economia precisam no momento, de financiamentos desonerados. Nada de impostos de mais de 30%. Se acrescentarmos os juros, só falta uma placa: " Proibido investir".

Todos concordam, mas... É estranho que todos, economistas e governo, concordam que se investe pouco no país, não mais que 18% do PIB, quando seria preciso no mínimo 25% para sustentar o crescimento sem distorções.

Em Brasília, informam à coluna que esse é "assunto do BNDES..." Mas o BNDES também pensa mais num futuro de 20, 30 anos, quando "todos estaremos mortos..."

Os números divulgados pelo Banco Central deveriam preocupar a equipe econômica. Os investimentos externos, diretos, até maio, estão em apenas US$ 11,4 bilhões. São inferiores às remessas para o exterior. Com muito otimismo, chegarão a US$ 30 bilhões. É pouco. Não dá para aumentar a produção industrial, já no limite, nem equilibrar a conta externa, que caminha para um déficit de R$ 50 bilhões. É mais delicado porque também não se espera qualquer superávit comercial significativo. Se não houver déficit comercial está bom até demais.

Por quê? Há varias explicações, como o câmbio e o real valorizado. Mas o que falta mesmo é estímulo a financiamentos de curto e médio prazo. Somem juro e impostos e pode-se concluir como será difícil aumentar investimentos em produção.

Houve a crise internacional, sim, mas os investimentos diretos estrangeiros caíram 42%% em relação a 2008! A grande verdade é que não há incentivo para o capital externo investir na produção.

Mas está entrando dinheiro! Sim, para aplicações financeiras, como renda fixa, títulos do Tesouro, que são seguros e oferecem o dobro do rendimento no mercado externo. ( O ex-ministro Delfim Neto costuma dizer que o real se transformou numa commodity....Invista nele que você ganha...). Exagero? Não. Basta ver os dados oficiais. Enquanto os investimentos diretos até maio chegavam a US$ 11,4 bilhões, as aplicações financeiras e em títulos do governo somavam U$$ 12,4 bilhões. Mas não é só isso. Se acrescentarmos o que se aplicou em bolsa, (US$ 8,1 bilhões), temos o dobro dos investimentos diretos destinados à indústria e à produção.

A comparação parece forçada. Nem sempre quem aplica em renda fixa e bolsa está decidido a investir em projetos que exigem planejamento. Muitos buscam primeiro obter lucro em um mercado para depois financiar o outro, quando não se conjugam. Mas a realidade inegável que os números do BC registram é que o Brasil está deixando de atrair investimentos diretos. Há projetos prontos. O que não existe são condições favoráveis para executá-los.

A culpa é dele! Fontes do governo criticam a política tributária. Afirmam que é onerosa, complexa. Acusam a taxa de juros, a burocracia, mas...um joga a culpa para o outro. São unânimes num ponto: a necessidade urgente de reforma tributária. Ora, ora, ora pois então...

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