Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'É quase um castigo para quem deveria receber um prêmio', diz Maggi sobre a BRF

Para ministro da Agricultura, desde a Carne Fraca, o frigorífico aprimorou controles e exigiu melhoras na produção

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 20h27

BRASÍLIA  – A crise em que mergulhou a BRF após a operação Trapaça, deflagrada na segunda-feira, 5, “é quase um castigo para quem deveria receber um prêmio por ter feito a lição de casa”, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Ele afirmou que a empresa melhorou muito seus procedimentos desde a Carne Fraca, do ano passado. As irregularidades investigadas pela Trapaça são anteriores a 2017.

Ele explicou que desde a Carne Fraca a BRF e os outros frigoríficos envolvidos ficaram sob estrita vigilância do Ministério, que aprimorou controles e exigiu melhoras na produção. “Subimos muito a régua com eles”, comentou. Com isso, a ocorrência de salmonelas nocivas em carnes de aves exportadas devem ser apenas “episódicos”.

Os técnicos da Agricultura passaram o dia fazendo um pente fino nos dados sobre a fiscalização da BRF. O ministro pretende emitir uma nota explicando o que o ministério fez desde a Carne Fraca. Ele quer traçar uma linha divisória sobre o quadro anterior à operação e o posterior. “É dizer 'investigação, cuida dos fatos que estão lá que eu cuido desses que estão para cá'.”

Entre as providências tomadas desde a Carne Fraca estão mudanças no sistema de inspeção sanitária. Nesta terça-feira, 6, Maggi assinou regulamentos que vão tirar das superintendências estaduais a gestão sobre as fiscalizações. Elas ficarão concentradas um nível acima, em dez unidades do Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoas). Cada unidade cuidará de um grupo de Estados. O regulamento sobre esse novo esquema deverá ser publicado na quarta-feira, 7.

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O ministro disse que, até agora, Europa e Hong Kong pediram informações adicionais, o que ele considera natural. “Todos vão pedir”, disse. No entanto, ele se antecipou. A primeira medida que tomou após a deflagração da Trapaça foi informar às embaixadas dos países importadores aqui e aos embaixadores do Brasil no exterior sobre a operação. Uma crítica que ele ouviu com frequência nos últimos meses foi que os importadores souberam da Carne Fraca pela imprensa.

Com isso, Maggi acredita que não haverá fechamento de mercados à carne brasileira, ao contrário do que ocorreu na Carne Fraca. No momento, três unidades da BRF estão com as exportações suspensas para 12 mercados.

Reunião. Executivos da BRF estiveram mais cedo com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. "O ministro está atento às preocupações da companhia, às implicações que uma ação como a de ontem pode ter", afirmou o diretor-executivo global da companhia, José Drummond.

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"As operações da companhia são muito importantes para as exportações brasileiras, é importante a gente cuidar dos impactos que não sejam necessários", disse, acrescentando que a empresa está "atenta" para preservar a tranquilidade de parceiros, consumidores e colaboradores.

"Tivemos uma conversa técnica bastante importante para esclarecer os eventos", disse Drummond, que ficou cerca de duas horas no gabinete do ministro. "Estamos bastante confiantes nos próximos passos."

Ele não deu detalhes sobre a conversa, nem sobre as providências que estão em curso. Questionado se o ministro expressou alguma preocupação com a situação financeira da empresa, ele foi taxativo "Não. Nem nós."

Mercado. Nesta terça-feira, 6, as ações da BRF chegaram a cair 4% pela manhã no Ibovespa, mas as perdas acabaram sendo reduzidas e os papéis ON terminam com redução de 2,46%, para R$ 24,14. Na véspera, as ações da maior exportadora de carne de frango do mundo caíram mais de 20% com o envolvimento da empresa em denúncias de irregularidades de fraudes laboratoriais. A empresa disse que segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais em relação à comercialização e produção de seus produtos, mas ainda não convenceu os investidores.

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O conselho de administração da BRF aprovou o pedido dos fundos de pensão Petros e Previ para convocar Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de deliberar mudanças no colegiado. A proposta envolve a destituição de todos os membros do conselho, aprovação de 10 membros para o colegiado e eleição de novo presidente e vice-presidente do conselho. A empresa saiu da recomendação de Itaú BBA.

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