Marcio Fernandes/Estadão - 25/5/2016
Marcio Fernandes/Estadão - 25/5/2016

'É remota a chance de comprar fábrica da Ford', diz dono do grupo Caoa

Empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade esfriou expectativa de acordo em São Bernardo do Campo, que chegou a ser anunciado pelo governador João Doria

André Ítalo Rocha e Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 14h16

Três meses depois de o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciar que a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo seria vendida para o grupo Caoa, o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da empresa, esfriou a expectativa de acerto ao afirmar, na manhã desta terça-feira, 10, que é “remota” a chance de adquirir a planta.

Em conversa com jornalistas, em evento de fim de ano da empresa, o empresário disse que não quer falar mais nada para não criar expectativa entre os trabalhadores e com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas declarou que “é um crime fechar uma fábrica como aquela, que tem bons equipamentos”.

A Caoa depende de obter financiamento para fechar a aquisição, de valor não revelado. Foi ventilada a possibilidade de a compra ser financiada pelo BNDES, mas o banco não tem uma linha específica para esse fim e o empresário disse que não precisa da instituição, pois sua empresa está capitalizada. A compra da Ford, contudo, seria uma “empreitada grande”, ele afirmou.

O dono do grupo afirmou também que conversa com três empresas chinesas para parcerias no Brasil. Uma delas está interessada em produzir automóveis e toparia uma sociedade na qual a Caoa teria 51% do negócio, enquanto a chinesa ficaria com 49%.

Questionado sobre a possibilidade de obter financiamento por meio do Banco de Desenvolvimento da China, conforme sugestão dada pelo secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, o empresário rejeitou a ideia ao dizer que a instituição financeira só está disposta a empresar dinheiro para empresas chinesas e não para uma empresa brasileira.

A fábrica da Ford foi colocada à venda em fevereiro, quando a montadora anunciou que encerraria ao longo de 2019 a operação da planta do ABC. A fábrica era a única da marca que produzia caminhões. O único automóvel produzido lá era o Fiesta.

O fechamento da planta, já concluído, reflete decisão global da empresa de sair do mercado de caminhões e parar de produzir o Fiesta no Brasil. A montadora permanecerá no País com a fábrica de Camaçari, na Bahia, que produz o Ka e o EcoSport, e uma fábrica de motores em Taubaté, no interior de São Paulo.

Após o anúncio, o governador João Doria decidiu ajudar a Ford a encontrar um comprador. Algumas empresas manifestaram interesse, mas a Caoa foi a que conseguiu avançar nas negociações.

Em setembro, Doria convocou coletiva de imprensa para anunciar que Ford e Caoa haviam chegado a um “bom entendimento” e que a conclusão da compra ocorreria em duas etapas. Na primeira, haveria uma “due diligence” para que as duas companhias acertassem os termos finais do negócio, inclusive definindo o valor da transação. Na segunda fase, seriam anunciados o investimento e a confirmação da compra.

As negociações, no entanto, esfriaram e, nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, já não se conta mais com a transação.

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