‘É uma crise sem precedentes’

Alta de juros afeta empresas e consumidores

Luiz Guilherme Gerbelli, Márcia De Chiara , O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 22h37

Tanto os consumidores quanto as empresas estão pagando um preço alto pela puxada nos juros para reduzir a inflação.

A MVC, por exemplo, fabricante de plásticos de engenharia para a indústria automobilística, construção civil, agronegócio e energia eólica, enfrenta hoje uma crise sem precedentes, segundo o diretor-geral, Gilmar Lima. “A demanda sumiu e os meus custos estão pressionados.”

Exceto para o segmento de energia eólica, o faturamento da empresa caiu mais de 60%. Com essa retração, a empresa teve de buscar capital de giro nos bancos para segurar os custos fixos e se deparou com uma dura realidade: “O custo de crédito dobrou e as garantias exigidas aumentaram”, conta Lima, lembrando que a empresa é uma joint venture entre dois grupos fortes a Marcopolo e a Artecola.

Para sobreviver a essa nova realidade, o diretor conta que demitiu 480 funcionários no 1.º semestre, 40% do quadro. Com sete fábricas, planeja fechar uma até o fim do ano. Mesmo com toda essa ginástica financeira provocada pela alta dos juros e pela queda na demanda, ele explica que os custos estão pressionados e que o repasse para o preço é parcial.

Toque do telefone

O desaquecimento da economia brasileira ficou evidente no dia a dia do analista Marcelo Recaldes. No início do ano, foi demitido de uma empresa da área de saúde. Nos últimos três, trabalhou como temporário, mas agora está desempregado. A dívida com uma rede varejista também aumentou. Agora, ele busca uma renegociação, além de um novo emprego. “Nos últimos dias tenho feito algumas entrevistas e participado de processos seletivos”, diz. A expectativa por um recolocação fica evidente no primeiro toque do telefone. “Tomara que seja um emprego”, diz ao atender ao celular. Infelizmente, não era.

Com a renda menor e os preços em alta, a rotina teve de ser adaptada. O happy hour de sexta-feira foi cortado, assim como alguns produtos no supermercado.

A rotina em busca de emprego também é a de José Manoel. Há seis meses, perdeu o emprego na construção civil, setor que sentiu fortemente a desaceleração econômica. “Com alguns cortes no orçamento, até consigo levar adiante.” A ajuda para manter o padrão de vida vem da renda obtida com o trabalho da mulher. 

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