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''''É uma nova crise, não um espasmo''''

Para Paulo Nogueira Batista Júnior, situação é preocupante, mas a economia real do Brasil não deverá ser afetada

Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior, disse ontem, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, que a atual instabilidade financeira tem contornos de nova crise, "e não de um espasmo temporário". Ele defendeu a continuidade da queda nos juros e da acumulação de reservas pelo Banco Central. A seguir, os principais pontos da audiência e da entrevista coletiva após a reunião. CRISE"Estou pendendo para a idéia de nova crise e não de um espasmo temporário", disse, destacando que em períodos de crise são revelados novos problemas. O economista considera que, diferentemente das crises dos anos 90, com foco nos países emergentes, a atual tem origem no centro da economia mundial: os EUA. A situação é preocupante, mas a economia real do Brasil não necessariamente será afetada pois está mais forte do que nos anos 1990.JUROS" O juro real ainda é alto no Brasil e há espaço para reduzi-lo mais. Se o BC reduz o juro, pode aliviar a dívida e o custo de carregamento das reservas (que é a diferença entre o juro interno, pago pelo governo, e o internacional, que remunera as reservas)", disse. Apesar das quedas recentes, o juro real ainda é alto e cerca de três vezes maior que a média dos principais mercados do mundo. RESERVASÉ importante que o Brasil mantenha o processo de elevação das reservas internacionais. A melhora nesse indicador nos últimos anos é relevante, mas há espaço para avançar. Sem dizer qual seria o nível ideal, ele destacou que um indicador interessante é a relação das reservas com todo o passivo de curto prazo do País. POLÍTICA CAMBIAL O governo deve preservar o superávit em conta corrente (que registra todas as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o Exterior), evitando períodos prolongados de valorização cambial. "É preciso ter mecanismos de autodefesa, pois o mundo é perigoso e as instituições multilaterais são controladas pelos países desenvolvidos." Apesar da maior solidez econômica, o Brasil não é invulnerável e está preparado para uma crise "moderada", podendo ter dificuldades em uma de maiores proporções. VULNERABILIDADES A vulnerabilidade principal da economia brasileira é a estrutura da dívida pública, que é relativamente de curto prazo e tem muita liquidez. "Em um momento de turbulência mais forte, com o movimento de saída de capital, os investidores trocariam facilmente títulos públicos por dólar, o que faria pressão enorme sobre o câmbio, levando ao uso das reservas internacionais, numa situação semelhante à de 2002."

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