'É uma piada', diz Mantega sobre projeção do Credit Suisse para o PIB

Instituição financeira suíça reduz para 1,5% a estimativa de crescimento do País em 2012 e revolta autoridades brasileiras

Mariana Durão e Marcio Rodrigues, O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2012 | 18h37

RIO/SÃO PAULO - A equipe de economistas do Credit Suisse reduziu de 2% para apenas 1,5% a projeção de crescimento para a economia brasileira em 2012. No relatório em que justificam a expectativa mais pessimista, os economistas destacam a redução drástica no ritmo do investimentos, que sairiam de 4,7% em 2011 para 0,3% em 2012 e desaceleração do consumo das famílias de 4,1% para 3,3%.

As projeções da instituição financeira suíça, um dos maiores bancos de investimento do mundo, revoltaram autoridades brasileiras. No Rio para participar da Rio+20, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desqualificou o cálculo.

"É uma piada. Vai ser muito mais que isso", disse Mantega  na tarde desta quarta-feira, 20, em rápida declaração a jornalistas à saída de um hotel na Barra, onde está hospedada a delegação brasileira. No mês passado, em audiência no Senado, ele apresentou a nova estimativa do Ministério para o desempenho este ano: 4%, meio ponto porcentual abaixo da anterior.

Além das tendências menos favoráveis para a economia sob a ótica da demanda, o Credit Suisse também listou recuos nos componentes de oferta. "Sob a ótica da oferta, nossa projeção assume retração do produto da agropecuária de 1,8% e ligeira expansão do PIB industrial de 0,6%. O crescimento dos serviços de 2% seria mais elevado que o do PIB, por conta da maior expansão dos segmentos menos sensíveis à demanda", diz o relatório.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que também integra a comitiva presidencial na Rio+20, tentou contemporizar: "Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente negativa por ser influenciada pelo clima por lá. A situação do mercado financeiro na Europa é muito ruim", analisou.

Para ele, os brasileiros teriam razões para estar mais otimistas diante do dinamismo da economia do País. Pimentel elogiou as medidas tomadas pelo ministério da Fazenda e o Banco Central para impulsionar o crescimento econômico em 2012 e afirmou que elas estão destravando o investimento para o segundo semestre. "Não acompanho esse pessimismo do Credit Suisse. Acho que nós vamos crescer mais que isso", afirmou. Mas, preferiu não arriscar qualquer prognóstico.

O mercado financeiro não está tão otimista quanto o governo. Na última segunda-feira, o Banco Central divulgou o relatório Focus, no qual os bancos reduziam, pela sexta semana consecutiva, a aposta de crescimento econômico para 2012. De acordo com a pesquisa, a previsão recuou de 2,53% para 2,30%. Quatro semanas atrás, a projeção era de crescimento de 3,09% neste ano.

O relatório de hoje do Credit Suisse puxou mais para baixo a tendência. Segundo o documento, simulações feitas pela instituição "sugerem que a expansão do PIB de 2% em 2012 tornou-se menos provável, pois demandaria uma retomada muito expressiva da atividade no segundo semestre de 2012".

"A diminuição da nossa projeção de crescimento do PIB no segundo trimestre, a ainda elevada incerteza global e a baixa probabilidade que atribuímos a uma expansão da economia muito expressiva nos próximos trimestres justificam a redução da nossa previsão de crescimento do PIB em 2012 de 2% para 1,5%", alegam os economistas.

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