Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

'É urgente ter distribuição no processo de privatização', diz presidente da Eletrobrás

Wilson Ferreira Jr. afirmou que o desempenho das seis distribuidoras em vias de privatização impactou negativamente o resultado da companhia

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 16h09

RIO-  Após a divulgação de um resultado mais fraco do que o esperado pelo mercado, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, afirmou que o desempenho das seis distribuidoras em vias de privatização impactou o lucro da companhia - 96% menor do que há um ano - e que por este motivo a privatização das distribuidoras se faz urgente.

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Ele afirmou que após a privatização das distribuidoras, inicialmente prevista para 21 de maio, data que já foi descartada, a Eletrobras irá se focar na geração e transmissão de energia, setores em que a companhia apresentou melhoras expressivas no primeiro trimestre do ano. Ele disse que aguarda para junho o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que vai autorizar o leilão das distribuidoras.

O executivo informou que as subsidiárias do setor de geração de energia melhoraram a relação geração de caixa/dívida líquida, com a Eletrosul reduzindo em um ano essa relação de 3 para 2,7 vezes; na Chesf, de 4 para 2,4 vezes; e de Furnas, de 6,2 para 5,4 vezes. A Eletronorte foi a única que piorou essa comparação, passando de 1,8 para 1,9 vezes.

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Ele informou que no dia 29 de junho deverá ser realizado o leilão das 70 Sociedades de Propósito Especial (SPE), cujos preços serão divulgados na próxima semana que vem.

Demissões.  O presidente da companhia admitiu que a adesão ao Programa de Demissão Consensual (PDC) no primeiro trimestre do ano ficou abaixo do esperado, o que fará a estatal abrir um segundo PDC até julho deste ano.

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Segundo ele, houve a percepção por alguns empregados de que a privatização da Eletrobras poderia não acontecer, o que foi descartado pelo executivo. O PDC teve adesão de 735 empregados de janeiro a março de 2018, que demandaram R$ 272 milhões da companhia.

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“Uma parte da não adesão são pessoas que perceberam a possibilidade de não se fazer a privatização, mas estamos bastante otimistas, (a privatização) vai à frente”, afirmou durante teleconferência para comentar o resultado financeiro da companhia no 1º trimestre de 2018, quando lucrou R$ 56 milhões, queda de 96% sobre igual período do ano passado.

Pendência.O executivo informou também que espera resolver a pendência com a Cigás, distribuidora de gás do Amazonas, ao longo de junho. A empresa ficou de fora de um acordo entre Eletrobrás e Petrobrás sobre dívida referente à venda de combustível para a Amazonas Energia, uma das seis distribuidoras na lista de privatização do governo.

“O valor da dívida com a Cigás é muito baixo, R$ 40 milhões, e vai ser equacionado”, disse Ferreira, respondendo a analistas de mercado durante a teleconferência. O valor total da dívida da Eletrobrás com a Amazonas Energia é de R$ 20,7 bilhões.

Segundo Ferreira Jr., já estão sendo realizadas reuniões com as três partes – Petrobrás, Eletrobrás e Cigás – para se chegar a um acordo quanto ao débito.

 

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