É viável que Brasil cresça 5% nos próximos anos, diz Krugman

O Prêmio Nobel de Economia de 2008 ressaltou que o Brasil tem um mercado interno grande e apresenta boas condições econômicas, com uma forte redução da desigualdade social nos últimos anos

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

16 de setembro de 2010 | 17h26

O Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, afirmou nesta quinta-feira, 16, ser viável que o Brasil cresça na média de 5% nos próximos três ou quatro anos. "Esse é um País que tem 200 milhões de habitantes, um mercado interno grande e apresenta boas condições econômicas, com uma forte redução da desigualdade social nos últimos anos", apontou o norte-americano. O economista fez referência aos 29 milhões de pessoas que saíram da classe E e ingressaram nas classes C e D de renda de 2003 a 2009, como apontou a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ).

Krugman classificou como "sensível" e "bem razoável" a condução na política econômica pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Os três demônios estão sob controle: a inflação, o câmbio e a questão fiscal", afirmou. O acadêmico destacou que não vê o atual desempenho da economia como uma expansão muito alta, que justificaria toda a empolgação com o País, registrada no mercado financeiro internacional.

O economista observou que esse sentimento positivo também foi registrado nos Estados Unidos em 1993 e 1994, no governo do ex-presidente Bill Clinton, o que foi muito importante para que aquele país ingressasse no maior período de prosperidade de sua história.

Krugman mostrou-se tranquilo em relação à transição política do Brasil, dado que ocorre neste ano a eleição presidencial. "Vejo as declarações dos candidatos, o que não interfere na economia", afirmou.

Câmbio

Ao contrário do que manifestou há cerca de um ano, em São Paulo, o prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, não acredita que a valorização do câmbio hoje seja um problem para a economia do Brasil. "Se o déficit de transações correntes atingir 3% a 4% do PIB, tudo bem. O quadro fica preocupante quando esse indicador fica bem maior, algo perto de 6% a 7% do Produto Interno Bruto."

Perguntado pela Agência Estado o que o fez mudar de opinião, ele respondeu com certa ironia: "É que naquela época eu não estava suficientemente pessimista sobre a economia mundial como estou hoje".

Em palestra realizada esta manhã na capital paulista, Krugman destacou que o nível de atividade nos EUA deve ficar fraco nos próximos seis anos. Ele também ressaltou que para o desemprego naquele país retornar ao patamar de pleno de emprego, ou seja, algo próximo a 5%, deverá demorar pelo menos 20 anos. Atualmente a taxa de norte-americanos desocupados é de 9,6%.

O colunista - cujo blog no New York Times é publicado com exclusividade no Brasil pelo E&N - destacou que a valorização cambial seria nefasta para a economia brasileira se ela estivesse enquadrada em um dos três seguintes cenários. O primeiro é de altíssimo endividamento do governo e de empresas em dólares.

O segundo é o que qualificou como "armadilha de liquidez para exportações", no qual a moeda doméstica excessivamente forte poderia impactar muito a produção industrial local e também as vendas externas. Nesse contexto ocorreria uma queda do nível de atividade interna, o que geraria alto desemprego. Num cenário como esse os juros poderiam cair para taxas muito baixas, mas tal medida seria inócua.

E a terceira é algo como ocorreu nos EUA de 2002 a 2007, quando foi registrado o ingresso muito grande de recursos internacionais que propiciou uma vasta onda de investimentos em vários tipos de ativos, como residências. Mais tarde, tal excesso de liquidez gerou bolhas naquele país, o que criou a atual crise na qual a economia norte-americana está envolvida. "Esse terceiro cenário é algo para se observar no futuro, mas não acredito que tem altas chances de ocorrer no Brasil", disse.

 

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