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É viável trazer inflação para 4,5% em 2009, afirma Meirelles

Nos EUA, ele diz que 'a única forma de ver que um BC está comprometido é ver expectativas de inflação caindo'

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

18 de agosto de 2008 | 10h44

É viável trazer a inflação para 4,5% em 2009, afirmou nesta segunda-feira, 18, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para investidores, em Nova York. "A queda recente da inflação corrente e das expectativas reforça que é viável trazer a inflação de volta à meta em 2009", disse, acrescentando que a mudança nas expectativas mostra a credibilidade do BC. "A única forma de ver que um BC está comprometido é ver expectativas de inflação caindo. Com isso o custo da política monetária é menor." Veja também:Inflação pelo IGP-10 é a mais baixa desde julho de 2007Mercado prevê recuo da inflação pela terceira semana, diz BCComo investir seu dinheiro no período de inflação  De olho na inflação, preço por preço Entenda os principais índices Entenda a crise dos alimentos  Meirelles, que participou de um evento na Câmara de Comércio Brasil-EUA, na cidade americana, ressaltou que a projeção do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008 caiu, segundo a pesquisa Focus divulgada nesta segunda, de 6,45% para 6,44%. Para 2009, porém, a projeção mantém-se em 5%. "Já existem sinais de que a política monetária começou a influenciar as expectativas de inflação", disse. Este fato, reiterou, também ilustra que a economia do País desfruta dos benefícios da estabilidade.  O centro da meta da inflação para este ano e o ano que vem é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. Câmbio O presidente reafirmou que BC está comprometido com a meta de inflação e que não tem meta para a taxa de câmbio. "O BC tem compromisso de não influenciar a tendência do mercado de câmbio", afirmou. O presidente enfatizou, no entanto, que o nível de reservas internacionais permite ao BC enfrentar questões de volatilidade no mercado de moedas, se necessário.Meirelles enalteceu ainda a condição que o Brasil alcançou de credor externo líquido, com o setor público credor em moeda estrangeira. "Trata-se de uma mudança estrutural, fundamental em relação ao passado de vulnerabilidade fiscal e externa", afirmou.  O presidente do BC disse que além de inflação na meta em 2009, a expectativa é de câmbio flutuante e balança de pagamentos mais saudável que no passado. Meirelles ponderou que está ficando claro que pode haver desaceleração global, mas acrescentou que o Brasil está em melhor condição para enfrentar os cenários benigno e "menos benigno". Ele acrescentou ainda que a atividade econômica do País permanece robusta.  Estabilidade Os benefícios da estabilidade econômica brasileira também foram destacados pelo presidente do Banco Central. Ele observou que o País desfruta de crescimento estável, sem arrancadas e paradas repentinas, e tem sido alimentado pela demanda, que tem de desacelerar. "A estabilidade do crescimento tem sido alimentada pelo aumento do emprego formal e renda real maior do trabalhador", completou Meirelles.  Uma vez com crescimento estável, citou o presidente, a demanda precisa desacelerar. Ele mostrou tabelas indicando que setores sensíveis ao crédito, como vendas de veículos, cresceram a taxas maiores que 22% nos primeiros três meses do ano.

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