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EBE busca parceiros para montar Angra 3

Cinco sócias da empresa no consórcio que detém o contrato desistiram do negócio em meio à crise das construtoras do País

Mariana Durão / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2015 | 03h00

A Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) está em busca de novos parceiros para tocar o contrato de montagem eletromecânica da Usina Nuclear Angra 3. A lista inclui empresas chinesas, americanas, russas e empreiteiras brasileiras.

A obra hoje está a cargo do consórcio Angramon, formado pela própria EBE e outros seis grupos: UTC, Odebrecht, Camargo Corrêa, Techint, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que o Angramon já comunicou a desistência do contrato à Eletronuclear.

O presidente da EBE, Paulo Massa, não confirma que um pedido oficial de rescisão tenha sido enviado à estatal na semana passada. Ele admite, entretanto, que pretende manter o contrato mesmo que suas sócias desistam do negócio e que já iniciou conversas com investidores.

A meta da EBE é ter uma proposta alternativa na manga em um prazo de 20 a 30 dias. O temor é que a estatal decida relicitar o contrato. “Se zerar tudo e relicitar, vai jogar a obra para 2023”, disse. A licitação do contrato de montagem eletromecânica foi iniciada em 2009, mas só saiu do papel em 2013. As obras começaram em setembro de 2014. Serão investidos R$ 2,9 bilhões, segundo o site da Eletronuclear.

A obra eletromecânica de Angra 3 representa cerca de 30% da carteira do grupo MPE, em que se insere a EBE. Com o setor de óleo e gás e infraestrutura parado, o contrato ganha importância para a EBE.

Em setembro, a Eletronuclear suspendeu por 60 dias o contrato com o Angramon para Angra 3, depois que Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Techint pediram afastamento da obra. Neste mês, a UTC saiu.

A Eletronuclear busca uma solução para financiar a obra de Angra 3. A empresa informou que vai recorrer da proposta feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o reajuste das tarifas de Angra 1 e 2 a partir de 2016, que ficou abaixo dos 28,3% pedidos pela empresa. Os recursos seriam destinados ao pagamento da contrapartida a um empréstimo de R$ 6,1 bilhões com o BNDES, aguardado desde 2010 para financiar Angra 3. A Eletronuclear também negocia aditivo com a Caixa.

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