Ebola já faz multinacionais deixarem a África

Caterpillar evacuou escritório na Libéria e petroleira canadense suspendeu atividades

O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h05

A Caterpillar evacuou seu escritório africano na Libéria. A Canadian Overseas Petroleum suspendeu um projeto de perfuração. A British Airways cancelou voos para a região. As gigantes ExxonMobil e Chevron aguardam para ver se as autoridades de saúde conseguem conter o perigo.

O surto de Ebola, que já custou cerca de 1 mil vidas, está afetando negócios e causando danos econômicos nos três países que estão no centro da crise: Guiné, Serra Leoa e Libéria. "Temos de controlar a epidemia o mais rápido possível", disse Olusegun Aganga, ministro do Comércio da Nigéria, país que já confirmou nove casos da doença. "Uma vez feito isso, acho que não teremos impacto na economia."  

Na última sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a epidemia de Ebola no oeste da África uma "emergência pública sanitária internacional". "Quando você tem um surto generalizado como esse, pode gerar pânico na população", disse John Campbell, pesquisador de estudos africanos da ONG Council on Foreign Relations (CFR). "As pessoas vão faltar ao trabalho, expatriados deixarão o país e a atividade econômica vai desacelerar."

O Banco Mundial estima que o surto vai diminuir o crescimento econômico na Guiné, onde a epidemia começou em março, de 4,5% para 3,5% neste ano.  

Companhias. As multinacionais que atuam na região estão tentando responder à crise. A fabricante de equipamentos Caterpillar retirou dez funcionários da Libéria. Em comunicado, a empresa disse que "a saúde e a segurança da equipe é prioridade".

  A British Airways anunciou a suspensão de pousos e decolagens na Libéria e na Serra Leoa até 31 de agosto. A mineradora australiana Tawana Resources suspendeu todas as atividades de campo na Libéria e mandou seus funcionários de volta aos países de origem. A Canadian Overseas Petroleum, com sede em Calgary, parou de fazer perfurações no local e também levou seus funcionários para casa.

Algumas grandes empresas decidiram esperar mais um pouco. A ExxonMobil disse, em um comunicado, que seus escritórios na região vão continuar em operação. "Estamos tomando precauções para garantir a saúde e a segurança de nossos empregados", informou. A empresa tem escritórios na Libéria, Nigéria e em vários outros países africanos.

A Chevron, que atua na capital da Libéria e está prospectando petróleo na costa do país, informou que está monitorando o vírus, mas não detalhou se já retirou funcionários da região.

Até agora, o prejuízo econômico não afetou a maior economia da África Ocidental, a Nigéria, embora a doença já tenha chegado ao país. "O comércio não parou", disse Danladi Verheijen, diretor-gerente da empresa de investimento Verod Capital.  / ASSOCIATED PRESS

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