Economia acelera no 4º trimestre, indica BC

Índice de Atividade do BC cresceu 0,36% em outubro, depois de ter caído em setembro

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

A economia brasileira voltou a crescer. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que funciona como um termômetro do desempenho da economia, subiu 0,36% em outubro, depois de ter amargado queda em setembro.

Economistas reconhecem que o resultado é um sinal de recuperação, mas insuficiente para alterar a perspectiva de baixo crescimento do ano.

O índice calculado pelo BC é uma espécie de prévia mensal do Produto Interno Bruto (PIB) e serve como parâmetro para avaliar o desempenho da economia. Nos últimos 12 meses, o indicador registrou alta de 1,50% na comparação com os 12 meses anteriores. No ano, o crescimento é de 1,57%.

A alta do índice em outubro na comparação com setembro, quando recuou 0,52%, mostra uma recuperação ainda "tênue", na avaliação do economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. Além disso, segundo ele, o Brasil não tem condição para sustentar um crescimento no ritmo verificado em outubro.

"O consumo das famílias forte e o investimento fraco ampliam o descompasso entre a demanda e a oferta", diz Serrano.

A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Zara, diz que o comportamento do chamado "PIB do BC" não deve alterar as expectativas do mercado financeiro com relação ao crescimento da economia em 2012, que estão entre 0,8% a 1%. A própria consultoria mantém a expectativa de crescimento do PIB de 0,9% no fechamento do ano.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, também manteve sua projeção para o PIB de 2012, de 1%. "O IBC-Br aponta para uma economia mais aquecida. No entanto, novembro já está contrariando os dados de outubro."

O economista afirmou que a produção industrial do mês passado deve ter fechado abaixo da de outubro e prevê que o PIB do quarto trimestre deve ter alta de cerca de 1%, na comparação com o terceiro trimestre.

Saci. Os analistas também mantêm certa cautela em relação ao indicador do BC. Principalmente porque, no terceiro trimestre, os dados ficaram bem diferentes dos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o IBC-Br cresceu 1,14% em relação ao segundo trimestre, o resultado apurado pelo IBGE foi uma expansão de apenas 0,6%.

O sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, diz que há uma grande chance de erro ao se calcular PIB com base no IBC-Br, uma vez que o indicador não leva em conta, por exemplo, dados de balança comercial e impostos. De acordo com ele, não dá para revisar projeção com base em "um indicador saci", que tem uma perna só, uma vez que ele capta apenas dados de oferta - indústria, agricultura e serviços.

"O IBC-Br é um indicador que não apura outras variáveis relacionadas ao PIB. Dependendo do momento, ele não reflete a realidade da economia, por isso mantenho minha projeção do PIB (em 2012) em 1%", disse o economista. / COLABORARAM RENATA PEDINI, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS e RENAN CARREIRA

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