Economia americana dá sinais de enfraquecimento, diz Fed

Segundo o Livro Bege do BC norte-americano, atividade enfraqueceu em todos os distritos no mês de setembro

Renato Martins, da Agência Estado,

15 de outubro de 2008 | 15h31

Os problemas nos mercados financeiros globais se intensificaram em setembro e a atividade econômica sofreu um enfraquecimento em todos os 12 distritos do Federal Reserve, diz o Livro Bege do BC norte-americano, divulgado nesta quarta-feira, 15. O relatório foi preparado pelo Fed de Chicago, com base em dados coletados até 6 de outubro, e vai subsidiar as decisões de política monetária a serem tomadas na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, nos dias 28 e 29.     Veja também: Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Segundo o Livro Bege, todas as regiões dos EUA se tornaram mais pessimistas quanto à perspectiva da economia; a maioria dos distritos relatou desaceleração na atividade industrial e redução dos gastos dos consumidores.   "As condições de crédito se caracterizaram como apertadas em todos os 12 distritos, com vários deles relatando disponibilidade reduzida de crédito tanto para as instituições financeiras como para as não financeiras", diz o relatório. Os únicos pontos descritos como positivos foram os setores agrícola, de mineração e de energia. De acordo com o "livro bege", as exportações continuaram a impulsionar a demanda do setor agrícola, apesar de os furacões Ike e Gustav terem prejudicado as regiões Sul e meio-oeste.   O relatório caracteriza as condições dos setores de energia e de mineração como "positivas", exceto por problemas temporários trazidos pelos furacões. A atividade de prospecção de gás natural cresceu significativamente, os preços do carvão estiveram estáveis e os preços do petróleo e do gás natural caíram.   O Livro Bege também diz que a maioria dos distritos do Fed relatou que as pressões dos custos sobre os preços se reduziram. "As pressões inflacionárias se moderaram um pouco em setembro. Enquanto vários distritos notaram repasses continuados de elevações anteriores dos preços de metais, alimentos e energia, a maioria indicou que as pressões de custos se reduziram. As condições do mercado de mão-de-obra se enfraqueceram na maioria dos distritos e as pressões de salários continuaram limitadas. Vários distritos relataram queda nos investimentos ou planos de reduzir investimentos por causa do alto nível de incerteza quanto à perspectiva econômica ou preocupações quanto à disponibilidade de crédito", afirma o relatório.   O Livro Bege diz ainda que os mercados de imóveis residenciais permaneceram fracos e que os mercados de imóveis comerciais sofreram desaceleração.   Petróleo   Os temores de uma desaceleração na atividade econômica mundial em decorrência da crise financeira levaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a reduzir sua previsão de demanda mundial pela commodity.   Em seu relatório de outubro, a Opep afirmou que o crescimento da demanda pelo petróleo este ano será de 550 mil barris por dia, para uma média de 86,5 milhões de barris por dia. Para 2009, a previsão é de 87,2 milhões de barris por dia.   O grupo anunciou no mês passado em sua reunião em Viena que seus membros vão cortar a produção em 500 mil barris por dia para diminuir o excesso de petróleo no mercado.   Com isso, os futuros do petróleo negociados na Nymex atingiram o menor nível desde setembro de 2007, enquanto os futuros da gasolina recuaram para o preço mais baixo em quase 20 meses, pressionados por receios de queda na demanda em meio ao desaquecimento da economia mundial. O barril fechou em menor de US$ 75,00 nesta quarta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.