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Economia americana já passou pelo pior, mas está longe dos bons tempos

Apesar do otimismo de Ben Bernanke, do Fed, para quem os EUA estão saindo da recessão, ainda há ceticismo

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

Se fosse tirada uma fotografia da situação econômica dos Estados Unidos agora e mostrada a investidores em 2006, todos diriam que a economia americana está um caos e o cenário seria extremamente pessimista. Caso a mesma fotografia fosse apresentada aos mesmos investidores em outubro de 2008, eles diriam que somente com muito otimismo para imaginar que tão rapidamente o quadro pararia de se deteriorar.O desemprego de 9,4% é recorde em quase três décadas. Um espanto quando comparado a três anos atrás, mas bem melhor do que os dois dígitos previstos há poucos meses. O índice de confiança dos consumidores está em seu nível mais baixo, com quedas nas vendas do varejo, algo impensável durante a febre de consumo de 2006 e 2007. Mas alguns sinais indicam que, aos poucos, os americanos retornam às compras, inclusive de casas. A produção industrial cresceu pela primeira vez em 20 meses. O índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, vale apenas dois terços do seu máximo, em outubro de 2007, mas há uma tendência de alta, apesar da instabilidade nas últimas duas semanas. Dependendo do ponto de referência - boom econômico de três anos atrás ou auge da crise em setembro de 2008 -, a visão sobre a economia americana terá uma feição diferente.A avaliação de economistas sobre a "foto" atual da economia americana é de que o pior já passou, mas deve demorar para retornar aos bons tempos. A visão do futuro começou a se alterar profundamente em julho, com lucros recordes do banco Goldman Sachs e de fundos de investimentos menores. Para alguns investidores, o piso do mercado financeiro americano havia sido em março e a tendência de alta indicava o momento em que a curva mudara de rumo - outros preveem novas quedas pela frente. O governo começou a divulgar números um pouco menos dramáticos. No fim do mês, a revista Newsweek publicou capa dizendo que "a recessão acabou", com repercussão até em um discurso do presidente Barack Obama.Na sexta-feira, foi a vez de o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, dizer que, "depois de uma contração no último ano, a atividade econômica aparentemente se recupera, tanto nos Estados Unidos como no exterior, e a perspectiva de um retorno ao crescimento no curto prazo parece boa". Resumindo, para o Fed, a recessão praticamente terminou. Sua visão é compartilhada por alguns dirigentes de bancos centrais do mundo todo que estiveram nesta semana nos Estados Unidos. Já Stanley Fischer, presidente do Banco Central de Israel e ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), discorda e afirma que, "embora existam sinais de recuperação, ainda é cedo para dizer que a crise econômica acabou". No meio-termo, Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo, disse em relatório publicado quarta-feira que a economia começou a se reerguer, mas o processo será lento.O economista Nuriel Roubini, da Universidade Nova York, que ganhou notoriedade por antecipar a crise, indicou na semana passada em artigo que a tendência é de que esta recessão, que já dura 20 meses, tenha uma forma em U, sendo longa e profunda. "Vai demorar 24 meses" para acontecer a recuperação, escreveu. Sua posição contrasta com a de 38 economistas de 47 consultados pelo Wall Street Journal, que disseram que a recessão chegou ao fim ou se encerrará nos próximos meses. Na avaliação de Roubini, a possibilidade de um retorno rápido ao crescimento, como dizem estes economistas, em formato de V - depois de uma queda brusca, uma subida brusca, sem um período longo em baixa -, está descartada.Independentemente da visão, economistas concordam em três pontos. Primeiro, a retomada do crescimento dependerá do reaquecimento do consumo, tradicional motor da economia americana, representando 70% do PIB. Na atual crise, os americanos, endividados, adotaram um padrão de consumo mais baixo, poupando mais. Para Blanchard, uma alternativa à queda no consumo seria o aumento das exportações para a Ásia, mas o problema é que os asiáticos pretendem justamente crescer pelo caminho inverso - aumento das importações americanas.A segunda diferença é que hoje pouco se fala em quebra de bancos e as empresas simbólicas do capitalismo americano, como a GM, aos poucos conseguem se reerguer. Na semana passada, a gigante automobilística, que conta com amplo apoio financeiro do governo, anunciou a recontratação de mais de mil funcionários. Para finalizar, os economistas advertem que, no longo prazo, o governo terá dificuldades para lidar com o imenso déficit causado pelos planos de ajuda à atual crise econômica enfrentada pelos Estados Unidos.

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