Economia argentina aprofunda recessão

Números apontam queda de 0,8% no PIB do 3º trimestre ante igual período de 2013

Ariel Palacios, CORRESPONDENTE

31 Dezembro 2014 | 00h59

BUENOS AIRES - Números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indicam que a economia argentina está aprofundando sua recessão. Segundo os números oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou uma queda de 0,8% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2013. 

No entanto, segundo as consultorias econômicas, o governo da presidente Cristina Kirchner está camuflando os dados sobre o andamento da economia desde dezembro de 2006, quando iniciou a intervenção no organismo estatístico. Segundo as consultorias, a queda real do PIB no terceiro trimestre teria estado ao redor de 3%. 

O Indec também admitiu uma queda da produção industrial de 1,2% em novembro em comparação com o mesmo mês do ano passado. De janeiro a novembro deste ano a produção industrial teve uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2013. No total, a Argentina acumula 16 meses de queda na indústria. No entanto, as consultorias econômicas calculam em média que a produção industrial teria tido uma queda de 4%, superior àquela anunciada pelo governo. 

As montadoras instaladas na Argentina são um dos setores mais atingidos pela crise. Segundo o Indec, a fabricação de veículos registrou uma redução de 12.5% em novembro em comparação com o mesmo mês do ano passado. A queda acumulada da produção de automóveis de janeiro a novembro de 2014 foi de 21,9% em relação ao mesmo período de 2013. 

O governo Kirchner também admitiu que ao longo dos últimos 12 meses foram demitidas 395 mil pessoas nos 31 principais centros urbanos da Argentina. Dessas pessoas, 271 mil concentram-se na província de Buenos Aires, responsável por 37% do PIB argentino, onde também costuma concentrar-se a maior tensão social do país. 

Segundo uma pesquisa elaborada pelo Indec entre empresários, 93,3% não pretendem contratar novos empregados, enquanto 5,6% avaliam fazer demissões em 2015. Somente 1,1% dos empresários pretendem contratar novos funcionários. 

Os números do Indec indicam que 2014 seria o pior ano para a economia desde 2009, quando a Argentina foi atingida pela crise internacional.

As consultorias na city financeira portenha especulam que o ano poderia ser encerrado com uma queda de 2%, enquanto o governo, com a camuflagem dos índices, anunciaria uma redução de apenas 0,5%. 

Calote. O governo protagoniza hoje novo “calote parcial”, já que não poderá pagar aos credores nos EUA que têm títulos da dívida pública a parcela de US$ 530 milhões relativa a juros. O pagamento não poderá ser feito por determinação do juiz federal de Manhattan, Thomas Griesa. Ele considera que, se a Argentina quiser pagar seus credores regulares, terá primeiro de cancelar o vencimento dos títulos que estão nas mãos de um grupo de “holdouts”.

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