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Economia argentina deve crescer 5% em 2011

Segundo economistas, incertezas políticas são o principal risco para expansão

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

Os principais economistas argentinos calculam que a Argentina terá em 2011 um crescimento de 5% do PIB em média. Segundo levantamento elaborado pela consultoria espanhola Focus Economics, a principal base para o crescimento econômico no próximo ano é o "vento em popa" propiciado pelos mais baixos juros globais em muito tempo.

O crescimento contínuo do Brasil - principal mercado dos produtos Made in Argentina - e os bons preços das commodities que o país exporta para todo o mundo também serão responsáveis pela expansão.

Segundo o ex-ministro da Economia Mario Brodersohn, 2010 fechará com um crescimento de 8,5% a 9% do PIB. Para 2011 ele calcula que o PIB terá um piso de 5,5%, "sustentado com uma política pró-cíclica, com aumento incessante do gasto público e crescimento da arrecadação tributária."

O economista Miguel Bein, ex-secretário de programação econômica, afirma que o PIB poderia aumentar 6,5% em 2011.

A consultoria Ecolatina, fundada pelo ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, considera que o bom desempenho do PIB registrado em 2010 continuará no ano que vem, com um crescimento de 5%. Mas, destaca que o governo da presidente Cristina Kirchner precisa tomar medidas para estimular os investimentos e conter a escalada inflacionária, que neste ano ultrapassaria a faixa de 26%.

Na mesma linha, Brodersohn considera que a única variável negativa é a inflação. Para ele, a escalada inflacionária de 2010 ficará ao redor de 25%. Mas para 2011 calcula uma inflação de 28% a 29%. Bein é levemente menos pessimista: a inflação em 2011 estaria ao redor de 24,4%.

Os cidadãos argentinos, enquanto isso, estão ariscos e preferem optar por um perfil conservador na hora de investir. Segundo pesquisa da consultoria Mora y Araujo para o Hope Funds, 57% dos argentinos preferem conservar o capital e investir com baixos riscos. Entre as opções existentes, o topo do ranking é ocupado por investimentos em imóveis. O segundo posto é ocupado pelo dólar, embora a moeda americana não cubra as perdas causadas pela inflação.

Política. Apesar do otimismo, os analistas consideram que 2011 promete ser embalado pelas costumeiras turbulências políticas locais de um ano de eleições presidenciais.

O cenário político é indefinido, já que, em outubro passado, o falecimento do candidato do governo, o ex-presidente Néstor Kirchner, alterou toda a estratégia dos partidos de oposição, além da própria presidente Cristina Kirchner.

A morte de Kirchner, considerado o verdadeiro poder no governo da mulher, permitiu que a presidente Cristina moderasse o discurso em relação aos mercados. Além disso, pediu a assistência do FMI, organismo que era muito criticado por seu marido. Os analistas indicam que ainda é cedo para saber se a "moderação" iniciada há quase dois meses é uma tendência que persistirá ou se é um fenômeno breve.

O cenário político promete ser agitado também por protestos sindicais para aumentos salariais. Os analistas indicam que o governo Kirchner estará dividido entre agradar os empresários e atender os pedidos da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país.

Desta forma, os cientistas políticos e economistas afirmam que a política argentina ainda é um "salva-vidas de chumbo" para o país. Essas incertezas foram assunto de análise da reunião da EMTA (Emerging Markets Trade Association) há algumas semanas, em Nova York. Ali, Javier Kulesz, da UBS Investment Bank, disse que "não há motivos para que os spreads da Argentina sejam de 400 pontos mais do que o Brasil. Mas é que esse risco está ligado à política... E a política, na Argentina, é muito fluida."

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