Economia brasileira cresce 0,8% no 1º trimestre do ano

Na compação com os três primeiros meses de 2006, expansão do PIB é de 4,3%

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h49

A economia brasileira cresceu 0,8% no primeiro trimestre do ano em relação aos últimos três meses do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 13. Economistas consultados pela Reuters previam expansão de 1,1%. Além disso, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu 4,3%. Em valores nominais, o PIB brasileiro nos três primeiros meses do ano somou R$ 596,1 bilhões, ante R$ 539,3 bilhões no mesmo período do ano passado. "O dado do trimestre (0,8%, ante o trimestre imediatamente anterior)chega a 3,2% se anualizado, que é bem em linha com o PIB potencial do país e, com isso, não muda o cenário de inflação", afirmou Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas Brasil. Nessa base de comparação, houve expansão no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, de 0,3%, e dos serviços, 1,7%, enquanto a agropecuária registrou queda de 2,4%. Além disso, a formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa a taxa de investimentos no País, cresceu 2,1%; o consumo das famílias subiu 0,9% e o consumo do governo aumentou 3,5%. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, todos os setores elevaram o PIB: indústria (3%), serviços (4,6%) e agropecuária (2,1%). Houve aumento também na formação Bruta de Capital Fixo (7,2%), no consumo das famílias (6%) e no consumo do governo (4%). DestaquesO coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, sublinhou como destaques dos resultados do PIB do primeiro trimestre a continuidade do crescimento do consumo das famílias e da contribuição da demanda interna para a expansão da economia e, ainda, a persistência da influência negativa do setor externo sobre os resultados. Para ele, a estabilidade da economia, com tendência de crescimento, tem gerado um padrão de desempenho que impede "grandes emoções" nos dados trimestrais do PIB.Indagado se não seria baixo o crescimento de 0,8% do PIB no primeiro tri deste ano ante o quarto tri de 2006 - no piso das estimativas do mercado financeiro -, Olinto disse que não se deve esperar fortes oscilações em dados ante mês anterior na economia na atualidade, na qual há tendência de estabilidade e de crescimento. "Não haverá grandes oscilações nessa taxa ante trimestre anterior", disse ele, para quem "olhar só a taxa com ajuste sazonal é ter uma visão muito limitada do que está ocorrendo".Além do padrão com variações suaves ante trimestre imediatamente anterior, Olinto detectou também outro padrão nos resultados recentes do PIB. "Já há alguns trimestre há um padrão em que os destaques são os mesmos, com o consumo crescendo com massa salarial e crédito e aumento da FBCF", disse. Para ele, este "é o comportamento de uma economia que já tem certa estabilidade".InvestimentosA taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 17,2% no primeiro trimestre de 2007, exatamente a mesma apurada no primeiro trimestre de 2006 e se mantém como a maior para um primeiro trimestre desde 2001 (18,2%). Os técnicos do IBGE só consideram correta a comparação desta taxa em relação a iguais períodos de ano anterior. Em 2006, a taxa de investimento do ano ficou em 16,8%.Para Olinto, a valorização do real impediu que a taxa de investimento ficasse acima dos 17,2% apurados. Segundo ele, como o cálculo da taxa é feito a partir de valores nominais correntes, o preço dos produtos acaba influenciando no resultado final. Como as importações de bens de capital tem crescido muito, os preços mais reduzidos acabaram impedindo um aumento maior da taxa. Por outro lado, o aumento de 7,2% na FBCF no período de 2007 foi o 13º aumento consecutivo ante igual trimestre de ano anterior. A técnica de contas nacionais, Claudia Dionisio, explicou que o crescimento resultou da queda na taxa básica de juros, a Selic, - de 17,2% ao ano no primeiro tri de 2006 para 13,2% ao ano em igual período de 2007 - e do aumento nominal de 25,4% do crédito para pessoas jurídicas no período. "Os juros em patamares inferiores são um estímulo, já que possibilitam financiamentos com taxas menores", disse Claudia.Segundo ela, não há abertura para os crescimentos específicos dos segmentos de máquinas e equipamentos e construção civil - que, juntos, compõem a FBCF -, mas é certo que ambos cresceram e a contribuição de máquinas e equipamentos deve ter sido maior. A taxa de poupança (poupança bruta/PIB) do primeiro trimestre de 2007 ficou em 17,4%, a maior desde o primeiro trimestre de 2004, quando foi de 18,3%. No primeiro trimestre de 2006, a taxa de poupança havia sido de 16,4%. Dados revisadosO IBGE divulgou também revisões de dados trimestrais em relação a trimestre imediatamente anterior do PIB. O PIB do primeiro trimestre de 2006, ante o quatro trimestre de 2005, foi revisado de 1,6% para 1,3%; o do segundo trimestre de 2006 ante o primeiro trimestre de 2006 foi alterado de -0,5% para -0,4%; o do terceiro trimestre de 2006 ante o segundo trimestre de 2006 subiu de 2,6% para 2,7%; e o do quatro trimestre de 2006 ante o terceiro trimestre aumentou de 0,9% para 1,1%.O QUE É O PIB?O Produto Interno Bruto (PIB) representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento. O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações.O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.Matéria atualizada às 16h46

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