Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/9/2019
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/9/2019

'Prévia' do PIB do BC indica tombo de 4,05% na economia em 2020

A queda registrada pelo IBC-Br foi menos intensa do que o previsto por analistas do mercado; em dezembro, índice avançou 0,64%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 09h27

BRASÍLIA - Em um ano marcado pela pandemia de covid-19, a atividade econômica brasileira fechou 2020 com retração de 4,05% em relação a 2019. O porcentual foi medido pelo Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) na série sem ajustes sazonais, que permite comparações entre os anos.

Conhecido como uma "prévia do BC" para o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. De responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do ano passado será divulgado apenas em 3 de março.

Até agora a maior queda em um ano do PIB brasileiro foi registrada em 1990, de 4,35%, na esteira do Plano Collor I e do confisco do dinheiro das cadernetas de poupança.

A queda do IBC-Br em 2020 ficou menor do que as estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam resultado entre -4,5% e -4,1%, sendo tombo de 4,2% o mais esperado. Em junho do ano passado, o Banco Mundial chegou a prever uma queda de 8% do PIB em 2020.

O mercado, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, estima uma retração de 4,3% para a economia brasileira em 2020. O Ministério da Economia também estima uma queda de 4,5% e, para o BC, o tombo será de 4,4%.

No ano passado, os efeitos da pandemia sobre a economia, apesar de percebidos já em fevereiro, se intensificaram em todo o mundo a partir de março. Para conter o número de mortos, o Brasil adotou o isolamento social em boa parte do território, o que afetou a atividade econômica. Os impactos foram percebidos principalmente em março e abril. A partir de maio, o IBC-Br demonstrou reação. 

Apenas em dezembro, o IBC-Br avançou 0,64% em relação a novembro, na série com ajustes sazonais, uma espécie de compensação para comparar períodos diferentes. Foi o oitavo mês consecutivo de alta. Medido em pontos, o indicador passou de 137,45 pontos em novembro para 138,33 pontos em dezembro. Esse é o maior patamar para o indicador desde fevereiro do ano passado (140,24 pontos), antes do acirramento da pandemia.  

Na comparação entre os meses de dezembro de 2020 e de 2019, houve alta de 1,34% na série sem ajustes sazonais. Essa série encerrou com o IBC-Br em 139,30 pontos em dezembro, no maior patamar para um mês de dezembro desde 2014 (145,48 pontos).

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