Economia brasileira preocupa analistas em Washington

Grandes investidores e renomados analistas presentes ao seminário sobre a América Latina Recuperação: Quão logo, quão forte?", evento que faz parte da reunião anual FMI/Banco Mundial, mostraram-se ainda muito preocupados com as perspectivas para a economia brasileira e com o processo eleitoral, apesar das declarações de confiança e otimismo do ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante o evento. Na opinião do economista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Leonardo Leiderman, há muitas incertezas sobre a economia do País em 2003. "Muito vai depender de quem será o próximo presidente e quem vai estar na equipe econômica", disse Leiderman à Agência Estado, logo após ouvir a intervenção do ministro Malan. Para Leiderman, apesar da qualidade das políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos dois anos, o Brasil não consegue retomar um crescimento econômico suficiente e estabilizar a relação dívida/PIB. "A pergunta que está na cabeça dos investidores é se haverá uma vontade e determinação política para lidar com essas questões. Além disso, o ambiente externo acrescenta riscos e o Brasil vem sofrendo um dos mais severos choques externos", afirmou Leiderman. Também para o economista-chefe para mercados emergentes do banco UBS Warburg, Michael Gavin, permanecem para os mercados dúvidas sobre a capacidade e a disposição de um governo do PT de fazer os sacrifícios necessários para manter o modelo de política econômica nos trilhos. Gavin perguntou ao ministro Malan por quê o PT hostiliza o presidente do BC, Armínio Fraga. "As declarações de Lula de que, se eleito, ele não manterá Armínio no comando do BC porque ele quer um presidente do BC que mantenha uma política consistente com os objetivos do PT, nos faz imaginar quais serão esses objetivos do PT. Será que isso inclui manter estabilidade monetária, o que é tudo o que quer Armínio Fraga?", explicou Gavin. Segundo ele, os sinais emitidos por Lula recentemente têm sido mais ambíguos do que o mercado gostaria. Na opinião do gestor de fundos da Pacific Investiment Management Company (PIMCO), Mohammed El-Erian, é necessário que Lula, se vencer as eleições, dê sinais claros e imediatos de que manterá a atual política econômica. "Há três maneiras de fazer isso. A primeira é por meio de anúncios. A segunda é por meio de ações e a terceira é por meio de quem ele nomeie", afirmou El-Erian. Apesar de estar confiante num desfecho positivo para a economia do País, especialmente no fato de que considera a dívida brasileira sustentável, El-Erian disse que o caminho adiante será difícil, principalmente por conta do ambiente externo adverso. O economista para América Latina do JP Morgan, Alfredo Thorne, ressaltou que o nível do choque externo que sofre o Brasil neste ano é o pior desde a década de 80. O diretor de pesquisa econômica e de estratégia do banco Goldman Sachs, Paulo Leme, concorda e diz que esse choque externo, traduzido em redução no fluxo de investimentos diretos e de outros tipos de recursos, como linhas comerciais, pode atingir 5% do PIB brasileiro. "As perspectivas de crescimento para a América Latina como um todo nos próximos 12 a 18 meses não são animadoras por conta de vários fatores, incluindo um cenário externo mais complicado", disse.

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