Economia brasileira terá melhora gradual nos próximos anos, diz Mantega

Ministro ressaltou que a transição para novo ciclo de crescimento será dolorosa

Laís Alegretti, Renata Veríssimo e Ricardo Della Coletta, da Agência Estado, Atualizado às 13h30

14 de maio de 2014 | 11h41

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira, 14, em audiência na Câmara dos Deputados, "a vida não tem sido fácil" para as economias de modo geral e que não se sai com facilidade de uma crise como a que ocorreu nos últimos anos. Mesmo assim, segundo o ministro, a crise está sendo superada. "Talvez 2013 tenha sido o ano da virada", afirmou. "Eu posso dizer que as perspectivas para a economia brasileira são de uma melhora gradual da nossa economia nos próximos anos.", disse.

Ele lembrou que, nos últimos cinco anos, a economia mundial foi acometida pela maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos. "A boa notícia é que podemos dizer que a crise já está sendo superada. Mas da superação da crise até conseguirmos implantar novo ciclo de crescimento é uma transição dolorosa pra todos os países envolvidos nisso", reconheceu.

O ministro apresentou aos parlamentares um mapa com o desempenho da economia mundial em 2013 e disse que, mesmo os Estados Unidos, que estão voltando a crescer, tiveram um avanço de apenas 1,9%. Além disso, Mantega disse que parte dos países europeus ainda estava com crescimento negativo. "Os países emergentes também sofreram o resultado desta atrofia da economia internacional e temos visto países dinâmicos como a China desacelerando seu crescimento", concluiu.

Mantega citou o crescimento de 2,3% da economia brasileira no ano passado, mas lembrou que até o fim deste mês o País terá "novo PIB" para o ano passado, dado que o IBGE revisou o resultado da produção industrial de 2013. "Isso vai alterar o desempenho do PIB, mas não sabemos ainda para quanto vamos", disse. O ministro afirmou que o governo prevê para 2014 um crescimento semelhante ao do ano passado, diferente, portanto, do que prevê o FMI.

O ministro voltou a afirmar que a inflação está sob controle e que, "tão importante quanto manter solidez fiscal é manter controle da inflação". "Temos regime de metas de inflação e ele está sendo cumprido. Não temos ultrapassado o limite superior da meta, embora nos últimos anos tenhamos tido pressões adicionais", disse. Mantega citou pressões no preço de alimentos, causadas por seca nos Estados Unidos, na China e na Índia. "Essas pressões se somaram à desvalorização do nosso câmbio, que é boa para exportadores, mas causa pressão inflacionária pelo menos no primeiro momento", afirmou.

S&P.  O ministro da Fazenda afirmou que "discorda" do rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil pela agência Standard & Poor's, anunciada no início deste ano. Mantega disse ainda que a decisão da S&P foi "solenemente ignorada pelo mercado" e ponderou que a decisão de reduzir a nota brasileira não foi seguida por outras agências internacionais. "A consequência desse rebaixamento foi nula em termos de reflexos no mercado. Houve aumento das bolsas e valorização do real, um sinal de que esse rebaixamento foi solenemente ignorado pelo mercado", avaliou o ministro.

O ministro disse ainda que a S&P, para justificar o rebaixamento, avaliou que o Brasil não cumpriria a meta do resultado primário para este ano. "(Isso) embora no ano passado tenhamos cumprido exatamente a mesma meta. E eu garanto que vamos cumprir (a meta de) 1,9% (do PIB) neste ano", rebateu o ministro. Sobre o tema, ele ainda pontuou que o Brasil tem "15 anos de resultado sólido nas contas de primário" e que o governo, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015, até se comprometeu até a aumentar o resultado primário nos próximos três anos. "Podemos continuar sendo um dos países que realiza um dos maiores superávits no mundo".

Mantega voltou a dizer que a agência de classificação de risco S&P's se equivocou ao reduzir o rating do Brasil, "embora tinha tido acesso a todas as informações das finanças públicas". Em resposta a parlamentares, Mantega disse que a avaliação da agência talvez tenha sido influenciada por um momento de turbulência, "em que todos os países emergentes sofreram problemas com câmbio".

"Isso se recompôs logo em seguida. Isso demonstrou solidez do Brasil", afirmou Mantega. "Nós continuamos recebendo fluxo de investimento externo direto, continuamos com investimento em título da dívida brasileira e há confiança do investidor no Brasil", defendeu. Por último, o ministro disse que a agência "tem direito" de acreditar que o governo não vai entregar um superávit primário de 1,9% este ano, embora o mesmo resultado tenha sido alcançado no ano passado.

Em março, a Standard & Poor's anunciou o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. O rating da dívida de longo prazo do País em moeda estrangeira foi rebaixado de BBB para BBB-.

"Turbulência". O ministro lembrou que houve no ano passado uma "turbulência internacional" com o anúncio de que o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) iniciaria a redução dos estímulos monetários que vinha praticando. "Criou-se um movimento de capitais que saiu de países emergentes e que foi para os EUA, atrás de taxas mais atrativas de rendimentos dos treasuries".

De acordo com o ministro, o fluxo de capitais também afetou o Brasil, com desvalorização cambial e das bolsas. Era um momento, ainda segundo Mantega, em que os países emergentes "pareciam fragilizados". O ministro disse que a partir de dezembro do ano passado, quando o FED começou de fato a reduzir os estímulos, os mercados já tinham antecipado suas reações e "praticado as mudanças nos fluxos de capitais". "A volta de fluxo de capitais para o Brasil trouxe valorização do real", disse Mantega. "Ninguém mais fala que emergentes não vão receber investimentos ou não vão crescer", emendou.

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