Economia caminha para equilíbrio, diz BC

Ata do Copom mostra que sinais de arrefecimento dos riscos inflacionários influenciaram na decisão de aumentar em 0,50 ponto porcentual a Selic

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 08h41

A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que há sinais de que a economia "tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo". A afirmação foi feita no item 22 do documento divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 29. Para os diretores da autoridade monetária, o deslocamento da economia tem como efeito um arrefecimento dos riscos para a evolução da inflação.

Na última quarta-feira, 21, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano, a terceira alta consecutiva da taxa básica de juros desde o início do novo aperto monetário, no final de abril deste ano.

Ainda no trecho 22 do documento, o Copom afirma que são "decrescentes os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno". A avaliação é de que esses riscos "se circunscrevem ao âmbito interno, por exemplo, os derivados da expansão da demanda doméstica, em contexto de virtual esgotamento de ociosidade na utilização dos fatores de produção".

"Em linha com ações de política implementadas no primeiro semestre, desde a última reunião, o recuo nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê mostraram melhora no cenário prospectivo", diz o parágrado 20 do documento.

Além de observar reversão nas perspectivas para a inflação, os diretores do Copom afirmam que o mercado parece mais ajustado em suas previsões, com diminuição da dispersão dos cenários. "A esse respeito, cabe mencionar que, tanto para 2010 como para 2011, houve redução significativa na dispersão das expectativas para a inflação plena; bem como nas próprias expectativas para a inflação de preços livres - o componente mais sensível e que mais rapidamente responde às ações de política monetária", ressalta o texto.

Nesse trecho do documento, os membros do Copom lembram que "a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável"

Apesar de observar a queda das previsões de inflação, o BC avalia que um movimento de recuo das expectativas ainda precisa ser intensificado. O documento conclui, então, que a política monetária deve ajustada para contribuir na regulação do ritmo de expansão da demanda e da oferta.

Perspectiva para atividade econômica segue favorável, mas ritmo é menos intenso

O BC entende que as perspectivas para a expansão da atividade econômica no País continuam positivas, mas em ritmo menos favorável que o observado há alguns meses. Para sustentar a avaliação, os diretores do BC lembram que dados sobre comércio, estoques e produção industrial evidenciam essa percepção.

A tese também encontra respaldo com a observação de "sinais de expansão mais moderada da oferta de crédito, em especial para pessoas físicas". Outro fato lembrado é que a confiança de consumidores e de empresários continua em patamar elevado, "mas com alguma acomodação na margem". Por fim, os diretores do BC também citam a "trajetória recente dos níveis de estoques em alguns setores industriais".

A autoridade monetária lembra que a atividade continuará a ser favorecida, por outro lado, por "efeitos remanescentes dos estímulos fiscais", "políticas dos bancos oficiais" e "em escala menor do que a esperada anteriormente, pela atividade global que, de resto, apresenta sinais de moderação".

Volatilidade no exterior e aversão a risco recuam desde junho

O Comitê de Política Monetária (Copom) reconhece que a volatilidade e a aversão ao risco apresentaram melhora desde a última reunião do colegiado, em junho, de acordo com o trecho 17 da ata.

Apesar de reconhecer essa melhora, os diretores d BC afirmam que esses sinais ainda são vistos com cautela, "possivelmente como movimentos temporários". Por isso, conclui o BC, "a liquidez permanece limitada".

O texto afirma que "persistem preocupações com dívidas soberanas de países europeus".  Além disso, "surgem dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da economia americana e aparecem indícios de desaceleração na China".

Entretanto, o documento afirma que os preços de algumas commodities e outros ativos brasileiros se elevaram "e, de modo geral, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis".

Nesse quadro, o BC reafirma que "aumentou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica, conquanto persista incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de substancial volatilidade nos mercados financeiros internacionais".

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