Economia chinesa dá sinais de estabilização

Produção industrial apresenta melhor resultado do ano e indica que desaceleração pode ter chegado ao fim

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h04

A produção industrial da China cresceu em julho no ritmo mais rápido desde o início do ano, ampliando o volume de dados que sugerem que a segunda maior economia do mundo pode estar se estabilizando após mais de dois anos de desaceleração do crescimento.

Uma estabilização da economia seria um alívio para os líderes chineses, que temem que uma desaceleração possa prejudicar seus esforços para reequilibrar a economia e afastá-la do modelo de crescimento impulsionado pelo crédito e investimento, direcionando-a para o consumo.

A produção industrial aumentou 9,7% em julho em relação ao ano anterior, o ritmo mais rápido de crescimento desde que ela avançou 9,9% em janeiro e fevereiro, mostraram dados do Escritório Nacional de Estatísticas divulgados ontem.

Piso. Os dados foram divulgados depois do resultado surpreendentemente forte de comércio na quinta-feira e, dadas as medidas adotadas desde meados do ano para dar suporte a pequenas empresas e exportadores, isso ampliou os sinais de que a economia pode ter encontrado seu piso após desacelerar em nove dos últimos 10 trimestres.

"Embora não digamos que a China está fora de problemas ainda, a recente alta na confiança tem sido notável, e agora parece improvável que se confirme as conversas de que o crescimento econômico vai cair abaixo de 7% em 2013", disse Chester Liaw, economista do Forecast Pte.

Outros dados mostraram que a inflação ao consumidor atingiu uma taxa anual de 2,7% em julho, próximo das estimativas. Uma queda de 2,3% nos preços ao produtor, o 17º mês seguido de deflação, também sugere que o cenário para os preços é tranquilo. Já as vendas no varejo avançaram 13,2% em julho ante o ano anterior.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, vem destacando que a política não vai mudar se o crescimento econômico permanecer acima de um limite mínimo não revelado, que muitos consideram ser 7%, mas analistas estão esperançosos de que pressões moderadas de preço permitiriam algum afrouxamento.

"A leitura branda de inflação fornecerá espaço necessário para implementar um miniestímulo fiscal", disse Lu Ting, economista do Bank of America-Merrill Lynch.

Redução de juros. Pesquisa da agência de notícias Reuters no mês passado mostrou que a expectativa é de que a China não reduza a taxa de juros antes do fim de 2014, embora uma minoria de analistas acredite que um corte é necessário para cumprir a meta de crescimento de 7,5%.

Empréstimos e outros dados monetários divulgados ontem indicaram que a China não afrouxou as condições monetárias no mês passado, em linha com a postura mais dura do banco central chinês, com particular atenção à inflação dos preços de moradias.

Dados mostraram que os bancos emprestaram 699,9 bilhões de iuanes em julho, acima do estimado mas menos do que em junho. O empréstimo bancário é uma peça central da política monetária da China, uma vez que o governo determina aos bancos quanto emprestar. / REUTERS

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