Economia chinesa perde ritmo de crescimento

Exportações, inflação e avanço dos empréstimos bancários ficaram abaixo das expectativas dos economistas

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2013 | 02h02

O crescimento da China pode desacelerar ainda mais após dados divulgados ontem mostrarem atividade moderada em toda a economia, em maio, diante da desaceleração global, elevando a possibilidade de cortes nos juros.

Nas últimas semanas, cresceram as evidências de que a economia da China está perdendo rapidamente o ritmo de crescimento, já que a demanda interna fraca não está conseguindo compensar a enfraquecida exportação, enquanto os principais parceiros comerciais do país lutam contra a desaceleração de suas economias.

Uma série de dados divulgados no fim de semana corroboram essas evidências, com as exportações de maio alcançando o menor crescimento em quase um ano, a inflação, o crescimento dos empréstimos bancários, investimentos abaixo das expectativas, além de produção e vendas no varejo crescerem no ritmo de meses anteriores.

"Os números de atividade indicam expansão contínua, mas o crescimento continua pouco convincente e o impulso parece ter perdido o ritmo em maio", disse o economista Louis Kuijs, do RBS, em nota. "As perspectivas de crescimento no curto prazo continuam sujeitas a riscos, o que pode muito bem nos levar a revisar ainda mais para baixo a previsão para 2013."

A inflação ao consumidor da China caiu para 2,1%, o mais baixo porcentual em três meses, enquanto os custos de produção caíram 2,9%, o menor nível desde setembro. Uma pesquisa da Reuters havia apontado a inflação em 2,5% e os preços em porta de fábrica com queda de 2,5%.

Demanda fraca. "Os dados sobre a inflação mostram que o crescimento econômico da China continua a desacelerar. O crescimento no segundo trimestre é provavelmente ainda mais lento do que no primeiro trimestre. Em particular, os dados mostraram demanda muito fraca", disse o economista-chefe da Mizuho Securities Asia em Hong Kong, Jianguang Shen.

Dados do Banco Central mostraram que os bancos chineses emprestaram 667,4 bilhões de yuans (US$ 109 bilhões) em novos empréstimos em maio, não alcançando as expectativas do mercado de 850 bilhões de yuans e inferior aos índices de abril de 792,9 bilhões de yuans.

O financiamento social total, uma ampla medida de liquidez, foi de 1,19 trilhões de yuans contra 1,75 trilhão de yuans em abril. Entretanto, o crescimento das vendas no varejo, investimentos em ativos fixos e produção industrial atingiram as expectativas em 12,9%, 20,4% e 9,2%, respectivamente, mas os números pouco mudaram em relação ao mês anterior.

No sábado, dados oficiais mostraram que as exportações da China referente ao mês de maio registraram sua menor taxa de crescimento em quase um ano, enquanto as importações caíram inesperadamente.

Preços e outros recursos. Em 2012, a economia da China cresceu em seu ritmo mais lento em 13 anos, e até a desaceleração vem surpreendendo, trazendo alertas de alguns economistas de que o país pode não alcançar sua meta de crescimento de 7,5% para este ano.

Os dados vão permitir à China manter uma política monetária simples e alguns enxergam a possibilidade de o Banco do Povo da China fazer um corte nas taxas de juros ainda este ano para reduzir os custos de financiamento de empresas locais em dificuldades, desde que a inflação no setor de habitação não saia do controle.

Economistas do governo e das principais organizações de Pequim afirmaram esta semana que a nova liderança do presidente Xi Jinping e do premiê Li Keqiang vai tolerar a queda do crescimento trimestral até 7%, antes de agir para levantar a economia.

Li adotou um tom mais otimista no sábado, dizendo que, em geral, a economia da China está estável, o crescimento está dentro de um - relativamente alto e razoável - índice e a situação do emprego também se mantém estável.

Além disso, o Banco Central está em um dilema quando se trata das taxas de juros, uma vez que os preços dos imóveis continuam a subir, e um corte nas taxas poderia abastecer uma bolha que o Banco Central vem se esforçando para conter nos últimos meses.

"Os preços dos imóveis vão saltar se houver corte nas taxas de juros, já que as recentes medidas de resfriamento do governo não têm alcançado os resultados desejados", disse economista sênior do Bank of Communications, Tang Jianwei, em Xangai.

"E cortar as taxas de juros pode não ser eficaz em retardar entradas de dinheiro especulativo, que são movidas principalmente por expectativas de valorização do yuan." / REUTERS

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