AP Photo/Evan Vucci, File
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PIB da China registra o pior crescimento em 29 anos

País asiático teve desenvolvimento de apenas 6,1% em 2019; dados coincidem com previsão do governo chinês para o ano de 2019

Redação, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2020 | 04h22

PEQUIM - Em meio à guerra comercial com os Estados Unidos e à queda no consumo interno, em 2019 a economia chinesa registrou o pior resultado em vinte e nove anos, com um crescimento do PIB de 6,1%. Este é o pior resultado da segunda economia do mundo desde 1990, de acordo com dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatística nesta sexta-feira, 17. Em 2018, a economia do gigante asiático havia crescido 6,6%.

Esses dados coincidem com as previsões de analistas coletados pela AFP e estão dentro da faixa prevista pelo governo chinês que estabeleceu o crescimento entre 6 e 6,5%. Depois de perder o fôlego nos três primeiros trimestres do ano, o crescimento se estabilizou em 6,0% nos últimos três meses de 2019, o mesmo ritmo do terceiro trimestre, segundo estatísticas do Bureau of Statistics

Segundo Ning Jizhe, representante da instituição, a economia do país manteve um crescimento sustentado no ano passado. "No entanto, devemos saber que a economia mundial e o crescimento do comércio estão desacelerando", alertou ele em entrevista coletiva. O surgimento de múltiplas fontes de instabilidade e risco faz com que a economia enfrente uma "desaceleração crescente", acrescentou.

Os dados foram divulgados após a assinatura da "primeira fase" do acordo comercial entre o presidente norte-americano Donald Trump e o vice-primeiro-ministro chinês Liu He na quarta-feira, 15, em Washington. O acordo inclui o compromisso da China de aumentar a compra de bens e serviços dos EUA no valor de US $ 200.000 em dois anos. Em troca, os Estados Unidos se comprometeram a reduzir algumas das tarifas impostas à China pela metade, embora as taxas permaneçam em dois terços ou mais dos produtos avaliados em 500.000 milhões de dólares do país asiático.

'Novo normal'

O Banco Mundial disse em um relatório este mês que o enfraquecimento das exportações na China agravou o impacto da queda da demanda doméstica. A incerteza das políticas e o aumento das tarifas de exportação para os Estados Unidos também têm impacto na atividade industrial e na percepção dos investidores, acrescentou.

Os dados mais recentes sobre o crescimento da produção industrial chinesa mostram um crescimento de 5,7% no ano passado, em comparação com 6,2% no ano anterior. As vendas no varejo cresceram 8,0%, ante 9,0% em 2018.

Analistas apontam que a desaceleração econômica do segundo poder é estrutural, tornando-se uma economia mais desenvolvida que enfrenta desafios demográficos, como a redução do número de pessoas em idade ativa. Louis Kuijs, chefe da seção asiática da Oxford Economics, disse à AFP que a desaceleração faz parte de um "novo normal".

Também considera improvável uma mudança na política econômica, dada a melhora nas previsões externas após a primeira fase do acordo econômico e outros sinais de estabilização. Pequim prefere levar a cabo uma política de estabilização do que uma política de promoção do crescimento, ele previu. "O que eles não querem é um freio rápido", disse ele. /AFP

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