André Dusek/Estadão - 9/1/2018
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Economia começa segundo semestre com crescimento de 0,6%, aponta BC

O Índice de Atividade do Banco Central registrou dois meses seguidos de alta, embora o ritmo do avanço tenha perdido força, depois da alta de 0,92% em junho

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 09h22
Atualizado 15 de setembro de 2021 | 11h52

BRASÍLIA - A atividade econômica brasileira apresentou o segundo mês consecutivo de alta em julho, embora o ritmo de avanço tenha se reduzido. O Banco Central informou nesta quarta-feira, 15, que seu Índice de Atividade (IBC-Br) subiu 0,60% em julho ante junho, na série já livre de influências sazonais, uma espécie de compensação para comparar períodos diferentes. No mês anterior, o avanço havia sido de 0,92% (dado revisado).

Os efeitos negativos da pandemia de covid-19 sobre a economia foram sentidos  principalmente no primeiro semestre do ano passado. Após esse período, o IBC-Br passou a reagir, até que a segunda onda da doença provocasse, no início de 2021, novos fechamentos de empresas. Com isso, o indicador passou a oscilar. Em março, a atividade econômica recuou, mas em abril houve avanço. Maio registrou novo recuo e, em junho e julho, o indicador voltou a subir.

De junho para julho, o índice de atividade calculado pelo BC passou de 139,68 pontos para 140,52 pontos na série dessazonalizada. Este é o maior patamar desde fevereiro deste ano (140,98 pontos).    

A alta do IBC-Br ficou dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam resultado entre queda de 0,30% e avanço de 0,80% (a maioria esperava crescimento de 0,40%). Para o economista da Rio Bravo Investimentos João Leal, o resultado superou as expectativas.  "A taxa de serviços talvez tenha impulsionado mais, assim como talvez a agricultura não tenha tirado tanto crescimento de julho", avalia.

"A visão geral e o consenso é que os serviços estão desempenhando bem e vão impulsionar o crescimento em 2021, mas vai chegar um momento no qual vão desacelerar", diz o economista. A Rio Bravo prevê crescimento do PIB de 5,0% em 2021 e de 1,5% em 2022, este último com viés de baixa.

Na comparação entre os meses de julho de 2021 e julho de 2020, houve crescimento de 5,53% na série sem ajustes sazonais. Essa série registrou 143,35 pontos em julho, o melhor desempenho para o mês desde 2015 (143,37 pontos). O IBC-Br ainda apresenta alta de 3,26% nos 12 meses encerrados em julho.

Conhecido como uma espécie de “prévia do BC para o PIB”, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A projeção atual do Banco Central para a atividade doméstica em 2020 é de crescimento de 4,6%. Essa estimativa será atualizada ainda em setembro, no próximo Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

No último Relatório de Mercado Focus divulgado pelo BC, a projeção é de crescimento de 5,04% do PIB em 2021. O Focus reúne as projeções dos economistas do mercado financeiro. 

"A desaceleração do IBC-Br em julho esteve em linha com a recuperação apenas parcial das vendas no varejo ampliado (de -2,1% para +1,1%), com a desaceleração de alta dos serviços prestados (de +1,8% para +1,1%) e com o aprofundamento de queda da produção industrial (de -0,2% para -1,3%)", afirma o economista da corretora Renascença César Garritano, em relatório.

Os resultados de julho também foram prejudicados pelas geadas que atingiram o País e causaram distúrbios em várias culturas agrícolas no mês, avalia o analista. Mesmo assim, Garritano nota que o número-índice do IBC-Br está 0,98% acima do nível pré-pandemia, indicando recuperação da atividade.

A Renascença manteve as projeções de crescimento do PIB de 2021, de 4,8%, e de 2022, de 1,4%, mas reconhece uma probabilidade elevada e crescente de redução das estimativas para o ano que vem.

"O cenário para a economia brasileira nos últimos meses deste ano e, principalmente, em 2022 não nos parece auspicioso, visto a atuação de diversos fatores negativos", observa Garritano, que cita a inflação e desemprego elevados, juros mais altos, tensão política e continuidade do processo de ruptura das cadeias produtivas, calendário eleitoral e desaceleração da economia global. / COLABOROU CÍCERO COTRIM

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