Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Economia compartilhada cria novas demandas para mercado imobiliário, apontam especialistas

Para ter mais rentabilidade, empresas do setor precisam se adaptar cada vez mais às necessidades dos consumidores

Raquel Brandão, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2017 | 00h00

Comunidade. Esse deve ser o conceito que deve permear os mercados nos próximos anos, inclusive o mercado imobiliário. A cada dia mais espaços e serviços de compartilhamento aparecem, criando grupos de pessoas que se reúnem física ou virtualmente por um interesse em comum. São co-workings, espaços compartilhados por pessoas que trabalham por conta própria ou em pequenos grupos, lavanderias coletivas em condomínios ou serviços de compartilhamento de veículos. E o consumidor brasileiro já está bem adaptado a esse modelo de serviços como Netflix, Spotify ou Airbnb, que, por exemplo, tem sua 3ª maior cidade em números de quartos no Brasil, o Rio de Janeiro.

 

O designer e fundador da House of All, Wolf Menke, aponta que o conceito de sharing economy é ainda mais antigo. "Não é uma inovação, sempre aconteceu e em algum momento isso se perdeu. É a batedeira que eu buscava emprestado da vizinha para minha avó fazer bolo e depois, em troca, levava o liquidificador para ela fazer uma vitamina. Além disso, esses serviços se assemelham a clubes. Você paga e tem acesso à piscina, à quadra, etc". Para ele, que apresentou com outros especialistas as tendências para o mercado imobiliário em painel da edição 2017 do Summit Imobiliário, promovido pelo Grupo Estado e pelo Secovi-SP, a ideia que passa a valer é a do acesso a serviços se sobressair à posse.

De acordo com Menke, a economia compartilhada tem três tripés que podem criar novos camnhos para o setor imobiliário : tentar zerar a subtilização de recursos, descentralizar e gerar relacionamentos de confiança.  Ao dar mais voz às necessidades de serviços dos consumidores, explica, as empresas podem ter mais rentabilidade com ganhos marginais do que só com a ideia de posse.

 

Para o gerente da área de mobilidade, da Frost & Sullivan na América Latina, Yesmant Abhimaniu, a integração dos espaços e serviços são mesmo o futuro. Segundo ele, as smart cities (as cidades inteligentes), são as novas green cities, ou a chamada cidade eco-friendly. "As cidades do futuro são as cidades dos consumidores", acredita ele.

 

Conhecer o consumidor. Na medida em que os consumidores terão produtos adaptados aos seus interesses e demandas, é cada vez mais importante para as empresas conhecer o perfil dos seus potenciais clientes - o que, em geral, é uma das maiores dificuldades do mercado. De acordo com Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, apesar da crise econômica, 4,8 milhões de brasileiros querem comprar imóveis nos próximos 12 meses, mas os anúncios não têm conversado com esse público. "Apenas 32% dos que querem comprar uma nova casa acabam morando de aluguel, então não adianta apostar no 'fuja do aluguel'", aponta Meirelles. Outro fator importante, segundo Renato, é olhar para o poder aquisitivo do consumidor sem ignorar o capital cultural e seus hábitos. "Hoje, nas classes A e B, 2/3 não têm faculdade, 61% usou transporte público nos últimos meses e a grande maioria nunca saiu do Brasil".

Para ajudar a entender quem é esse consumidor, o CEO da Moving Imóveis, Ado Fonseca, aposta na análise de dados, especialmente pelos gerados no uso de smartphones. "No caso do setor imobiliário, a geolocalização, por exemplo, é essencial. No Moving, estamos começando a monitorar o comportamento do usuário, obviamente com seu consentimento. Vemos qual o trajeto que ele faz e como ele interage com esse raio de distância para  oferecer, depois, o imóvel ideal", explica.  

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