Economia cresce 5,4% e investimento anima previsões em 2008

A economia brasileiracresceu 5,4 por cento em 2007, ano em que os investimentostiveram a maior expansão desde 1996. Para analistas, o dadomostra que o país está se preparando para aumentar o chamadoPIB potencial, enquanto a demanda interna mantém-se aquecida. A demanda doméstica contribuiu com 6,9 ponto percentualpara o Produto Interno Bruto, enquanto a demanda externa tevepeso negativo de 1,4 ponto percentual. Apenas no quarto trimestre, o país cresceu 1,6 por cento emrelação ao trimestre imediatamente anterior e 6,2 por centoante o mesmo período de 2006, informou o Instituto Brasileirode Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam expansão de5,3 por cento no ano, que já seria a melhor desde 2004, e de1,3 por cento na comparação trimestral. "Estamos com uma qualidade de crescimento importante.Melhor até que em 2004, quando o setor externo tinha um pesomais forte. Quando se tem o mercado interno sendo fortalecidojunto com o avanço do investimento, isso é bom", afirmouRoberto Olinto, coordenador de contas nacionais no IBGE. No ano, a indústria cresceu 4,9 por cento, o setoragropecuário avançou 5,3 por cento e o setor de serviços teveexpansão de 4,7 por cento. A formação bruta de capital fixo --uma medida dosinvestimentos-- avançou 13,4 por cento, a taxa mais alta desdeo início da série histórica do IBGE. O dado "mostra um sentimento muito positivo do empresário,porque é um tipo de investimento que não tem retorno de curtoprazo", afirmou Fábio Knijnik, estrategista do BESInvestimentos. "Isso aumenta também a capacidade de crescimentopotencial. Aumentam as chances de que o PIB cresça mais do que4,5 por cento." A equipe econômica do Bradesco deve elevar a projeção parao crescimento deste ano frente aos atuais 4,5 por cento. "Osinvestimentos continuam crescendo em ritmo superior ao doconsumo das famílias", apontou o banco. INVESTIMENTOS SUFICIENTES? O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também destacou queos investimentos permitem expansão sem pressão inflacionária ejá fala em crescimento de 5 por cento este ano. "A economiacresce de forma robusta e equilibrada... eu acredito que dápara manter o crescimento de 2007 em 2008", disse. Segundo o IBGE, a taxa de investimento em 2007 atingiu orecorde de 17,6 por cento do PIB, ante 16,5 por cento no anoanterior. Com o aumento do consumo, a taxa de poupança ficouestacionada em 17,7 por cento do PIB. "O investimento em relação ao PIB precisa crescer mais, masa tendência já vem sendo de alta. O dado mostra que o país estáse preparando para crescimentos maiores", avaliou Silvio CamposNeto, economista-chefe do Banco Schahin. O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP)ponderou que, embora positivo, o dado de investimentos poderiater sido melhor. "O volume de investimentos cresceu no Brasil,mas cresceu ainda mais nos outros países em desenvolvimento,especialmente os do Bric (além de Brasil, Rússia, Índia eChina", afirmou Walter Machado de Barros, presidente doconselho do Ibef. O consumo das famílias avançou 6,5 por cento em 2007, oquarto ano seguido de crescimento. A preços de mercado, o PIB brasileiro alcançou 2,558trilhões de reais em 2007. (Reportagem adicional de Aluísio Alves)

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