Economia da China deve crescer 9,1% em 2010, estima governo

Apesar da aceleração do crescimento, Pequim indica que não tem planos de valorizar o yuan ante o dólar

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

07 de dezembro de 2009 | 15h17

A China vai crescer 8,3% neste ano e 9,1% em 2010, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira, 7, pela Academia Chinesa de Ciências Sociais, um dos principais institutos de pesquisa ligados ao governo. Apesar da aceleração do crescimento, Pequim voltou a indicar que não tem planos de no curto prazo valorizar sua moeda em relação ao dólar.

 

Artigo publicado no International Business Daily, jornal do Ministério do Comércio, sustenta que a mudança no câmbio prejudicaria a China e, por tabela, ameaçaria o processo de recuperação da economia global.

 

"A recuperação continua frágil e, nessas circunstâncias, a apreciação traria grandes riscos para a economia chinesa", afirma o texto. Pequim sofre pressão dos Estados Unidos e da Europa para valorizar sua moeda, que está estagnada no patamar de 6,8 yuans por US$ 1,00 desde meados do ano passado.

 

Os que importam ou competem no mercado internacional com produtos chineses afirmam que o yuan está artificialmente subvalorizado, o que torna as exportações do país mais baratas em dólares. Eles argumentam ainda que o yuan deveria naturalmente se apreciar, em decorrência do forte crescimento da China.

 

"Forçar a valorização do yuan seria sem dúvida desfavorável para a economia chinesa e, além disso, não ajudaria a recuperação sustentável da economia mundial", ressalta o artigo do Ministério do Comércio.

 

A cúpula do governo de Pequim se reuniu nos últimos dois dias para avaliar a situação econômica do país e traçar as diretrizes para 2010. De acordo com a agência oficial de notícias Xinhua, as autoridades decidiram manter a política fiscal "pró-ativa" e a política monetária "moderadamente" frouxa adotadas atualmente.

 

A China cresceu 8,9% no terceiro trimestre e 7,7% nos primeiros nove meses do ano. A expansão se deve principalmente ao pacote de estímulo de US$ 585 bilhões anunciado em novembro de 2008, que elevou os investimentos e deu impulso à concessão de empréstimos bancários.

 

O volume de novos créditos concedidos pelo sistema financeiro deve fechar o ano em US$ 1,5 trilhão, o equivalente a um terço do PIB do país. A cifra deverá cair para US$ 1 trilhão em 2010, mas ainda estará bem acima da média história da China.

 

Na segunda-feira, o Banco de Compensações Internacionais (BIS), responsável pela supervisão bancária em todo o mundo, alertou que a explosão no crédito poderá deteriorar os balanços das instituições financeiras chinesas, em razão do possível aumento no volume de empréstimos irrecuperáveis.

 

Os investimentos responderam por 95% do crescimento de 7,7% registrado nos três primeiros trimestres do ano, enquanto as exportações tiveram impacto negativo sobre a expansão do PIB. Pela primeira vez desde que a China iniciou suas reformas econômicas, há 30 anos, as vendas do país ao exterior vão diminuir.

 

Nos primeiros dez meses do ano, as exportações caíram 19% e vão fechar 2009 em terreno negativo. A previsão para 2010 é que os embarques ao exterior tenham um crescimento modesto, de no máximo 8%, mas isso será suficiente para gerar impacto positivo em termos de crescimento do PIB, já que a base de comparação de 2009 será bastante baixa.

 

O grande desafio da China é estimular seu mercado doméstico e aumentar a participação do consumo na composição do PIB. Por enquanto, os gastos expressivos das famílias estão concentrados em alguns setores.

 

Entre eles, um dos mais aquecidos é o automobilístico. As vendas de carros na China atingiram 12 milhões de unidades nos primeiros 11 meses do ano, com alta de 40% em relação a igual período de 2008. A previsão é que o ano feche com vendas de 13 milhões de veículos, o que consolida a posição da China como maior mercado automobilístico do mundo, acima dos Estados Unidos.

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