Economia dá sinais de fraqueza; analistas reduzem previão do PIB

Prévia do PIB calculada pelo BC motivou pessimismo. Dados recentes do varejo reforçam possibilidade de crescimento mais baixo do que o esperado 

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

13 de outubro de 2011 | 16h12

O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu acima do esperado em agosto e já leva analistas a reduzirem suas projeções para o crescimento da economia nesse ano.

Exemplo disso é a MCM. A consultoria reduziu sua projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, na margem, de 0,8% para um número ligeiramente acima de zero. "Com a desaceleração do nível de atividade, vamos revisar a nossa previsão de crescimento do País, de 3,6% para uma marca pouco acima de 3%", disse o economista e sócio da consultoria, Antônio Madeira.

A LCA também ficou mais pessimista. Para o economista-chefe da consultoria, Braulio Borges, o PIB no terceiro trimestre ficou muito fraco e, na melhor das hipóteses, vai apresentar um resultado nulo. "Há grandes chances de que o PIB entre julho e setembro na margem tenha ficado negativo", comentou.

De acordo com Borges, com o fraco desempenho do PIB no terceiro trimestre as projeções de expansão do País de 3,5% para 2011, apontadas pelo BC e pela mediana das projeções de economistas apuradas pela Pesquisa Focus, "ficaram muito otimistas". Ele espera que o PIB avance 3,1% neste ano e 3,5% em 2012.

"O nível de atividade está em franca desaceleração. O PIB do quarto trimestre deve crescer 0,5%, na margem, mas com os efeitos da crise internacional sobre a economia doméstica pode ser que fique estável", destacou. Para ele, caso ocorra um evento de crédito na Grécia, seja ele um default ou reestruturação ordenada, é bem provável que o mundo será envolvido por um credit crunch semelhante ao ocorrido a partir de setembro de 2008, quando o banco Lehman Brother quebrou.

"Caso ocorra uma retração de crédito substancial, o PIB no Brasil deve crescer perto de 2,9% em 2011. Deste modo, como a herança da força do PIB será muito fraca para o ano seguinte, o País deve registrar uma expansão de 3,2% em 2012, abaixo da nossa previsão atual de 3,5%", disse.

Previsões justificam corte de juros

De acordo com Borges, a forte moderação do nível de atividade no Brasil dá razão ao BC por ter feito uma inflexão na política monetária em 31 de agosto, quando mudou a trajetória da Selic - de uma alta de 1,75 ponto porcentual de janeiro a julho para iniciar um ciclo de redução da taxa, com queda inicial de 0,50 ponto porcentual. "Na última reunião do Copom, o Banco Central estava vendo fatos econômicos que iriam ocorrer que justificavam a redução da Selic", disse.

Na avaliação de Borges, a queda de 0,4% das vendas do varejo em agosto em relação a julho foi motivada por fatores internos, como a alta dos juros realizada pelo BC de janeiro a julho, mas também pelo início de contágio da economia nacional pelo aprofundamento da crise internacional. "As noticias ruins externas abalam a confiança dos empresários e cidadãos, o que reduz o consumo", apontou.

Segundo Madeira, da MCM, o BC deve dar continuidade ao corte de juros e reduzir a Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião que ocorrerá na próxima semana e na que vai ser encerrada no dia 30 de novembro, que será a última do ano. A taxa deve encerrar o ano em 11% e deve registrar mais dois cortes também de 0,50 ponto porcentual nos encontros que vão ser finalizados nos dias 18 de janeiro e 7 de março de 2012.

Com esse movimento de redução dos juros para 10%, que ficarão estáveis até o final do próximo ano, o economista avalia que a inflação não vai retrair com vigor, pois deve fechar fora da meta em 2011 e no próximo ano. Ele espera que o IPCA fique em 6,6% neste ano, superando o teto da meta de 6,5%, e caia um pouco para 6,3% em 2012. Nesse cenário, o mundo vai crescer pouco no próximo ano, mas não deve mergulhar em recessão.

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