Economia da zona do euro continuará fraca, diz BCE

Segundo Jörg Asmussen, transmissão da política monetártia do Banco continuará a enfrentar obstáculos graças em parte à especulação sobre cenários de saída de países-membros

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

27 de agosto de 2012 | 14h20

LONDRES - Jörg Asmussen, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE), disse que a economia da zona do euro deverá continuar fraca nos próximos meses. Ele afirmou também que a transmissão da política monetária do BCE continuará a enfrentar obstáculos graças em parte à especulação sobre cenários de saída de países-membros da zona do euro, e que algumas ferramentas de política monetária padrão não serão mais aplicadas, acrescentou.

Segundo ele, o BCE comprará somente bônus governamentais em paralelo com os programas de socorro da zona do euro. "O BCE somente agirá em paralelo com a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e mais tarde com o Mecanismo de Estabilidade Europeu", declarou Asmussen, em uma discrição das condições sob as quais o banco central comprará os bônus soberanos para ajudar países-membros em dificuldades.

No início deste mês, o presidente do BCE, Mario Draghi, indicou que a autoridade monetária pode agir em breve para comprar bônus governamentais no mercado aberto e pode considerar outras medidas extraordinárias para reduzir os custos elevados dos empréstimos de economias da zona do euro com dificuldades fiscais. Ele acrescentou que tais medidas ocorrerão somente sob condições restritas e após os países com problemas, como a Espanha e a Itália, serem submetidos a um pedido de ajuda.

Asmussen repetiu as condições apresentadas por Draghi de que os países façam primeiro um pedido formal de ajuda. Os bônus comprados terão vencimentos curtos e que o BCE avaliará o status de credor preferencial da autoridade monetária. Apesar dessas condições, Asmussen afirmou que o BCE manterá seu mandato para assegurar a estabilidade de preços e continua com sua independência nas compras de bônus. "O conselho de governadores continuará a decidir, em total independência, se, quando, e como, compra bônus no mercado secundário", declarou Asmussen, de acordo com um texto de um discurso para um evento do Deutsche Bundesbank, em Hamburg.

Ele disse que o programa ainda está em desenvolvimento e que o conselho discutirá sobre ele em sua próxima reunião no mês que vem.

Sobre a Grécia, Asmussen destacou que o país problemático fez progressos em suas reformas, mas acrescentou que ainda não foi suficiente. Ele alertou que dar ao país mais tempo para cumprir as metas de seu programa de ajuda custará mais dinheiro que os países parceiros podem ter para fornecer.

"Os problemas na zona do euro que estão concentrados em países individuais precisam ser resolvidos primeiramente por esses países", destacou Asmussen. As informações são da Dow Jones.

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