Paulo Whitaker/Reuters - 13/3/2018
Paulo Whitaker/Reuters - 13/3/2018

Economia deve capturar benefícios da reforma da Previdência já no 4º trimestre, diz Lazari

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse estar otimista com a perspectiva de reforma da Previdência e que há entre os líderes do Congresso

Cynthia Decloedt, Fernando Scheller, Circe Bonatelli, Maria Regina Silva e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 14h05

A economia deve capturar os efeitos da aprovação da reforma da Previdência já no quarto trimestre, embora um maior impacto deva acontecer em 2020, avalia o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em conversa com o Estadão/Broadcast no evento Finanças Mais, organizada pelo Grupo Estado. No entanto, o presidente reconheceu que o ano de 2019 está praticamente comprometido em termos de crescimento. Lazari indicou também que existe a perspectiva de as reformas tributárias e de independência do Banco Central acontecerem também este ano, na esteira da previdência.

“Temos uma reforma da Previdência que deve sair em velocidade maior do que se esperava, mas o mais importante é que as outras reformas já estão prontas e na sequencia da previdência certamente virão a tributária e a independência do Banco Central”, disse. Esse é, de acordo com ele, o cenário com o qual o banco trabalha.

“No último trimestre do ano, vamos capturar o benefício dessas reformas e entrar em 2020 num cenário muito mais favorável para o País crescer”, destacou. Lazari observou também que tem percorrido o País e observado que há muitos empresários interessados em investir, com bons projetos.

Embora a economia tenha apresentado desempenho inferior ao esperado, o Bradesco manteve, segundo ele, o guidance de expansão de carteira de credito entre 9% e 13%. “Estamos conseguindo buscar crescimento em carteiras como consignado, veículos e crédito imobiliário, explicou.

Otimismo

Lazari, disse estar otimista com a perspectiva de reforma da Previdência e que há entre os líderes do Congresso uma inclinação para a aprovação de um modelo com pouca desidratação das despesas

 "Estamos otimistas de que a reforma vai passar. Conversamos com Rodrigo Maia (presidente da Câmara) e com Alcolumbre (Davi Alcolumbre, presidente do Senado) e alguns membros da comissão e a expectativa e o sentimento são muito positivos", afirmou Lazari, no evento organizado pelo Grupo Estado.

 Segundo ele, os interlocutores se mostraram sobretudo preocupados com o desempenho futuro da economia. "Acho que todos estão muito preocupados com o crescimento do País, para que entre em um circulo virtuoso", disse.

Segundo o presidente do Bradesco, a percepção do banco é de que a reforma será aprovada, "sem uma desidratação elevada e na velocidade que a gente precisa".

Compulsório

A redução do compulsório bancário anunciada na quarta-feira, 26, pelo Banco Central terá um efeito limitado sobre a economia brasileira, dado que a demanda por financiamento está fraca, avaliou Octavio de Lazari. "A liberação do compulsória é boa, ajuda. Mas como não tem demanda relevante, acaba não tendo o efeito que a gente gostaria", afirmou há pouco.

O Banco Central anunciou na quarta, 26, que reduziu a alíquota do compulsório sobre recursos a prazo em dois pontos porcentuais, de 33% para 31%. A medida, segundo o BC, vai liberar R$ 16,1 bilhões no sistema financeiro, que podem ser usados nas operações de crédito.

 "A questão do compulsório não afeta as operações neste momento, porque os bancos, pelo menos os grandes, têm caixa suficiente para continuar emprestando recursos. Precisamos, na verdade, de crescimento da economia. Percebemos falta da demanda das empresas por crédito porque a economia está muito parada", explicou Lazari.

O presidente do Bradesco disse também que a atividade econômica nacional só vai melhorar quando houver a aprovação da reforma da Previdência e o encaminhando de outras medidas, como a reforma tributária e a garantia de independência do Banco Central. "Isso é fundamental. Sem que isso aconteça, não vamos entrar num ciclo virtuoso no crédito", salientou.

Lazari defendeu que a reforma da Previdência precisa ser "muito pouco" desidratada. "Precisamos de uma economia de pelo menos US$ 1 trilhão de despesas, para que a gente possa equilibrar o fiscal e contar com crescimento da economia no longo prazo, sem ciclos de altos e baixos".

O executivo disse ser contrário à discussão sobre um possível aumento da alíquota de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) neste momento. O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), propôs que a alíquota de CSLL dos bancos suba de 15% para 20%, visando à elevação da receita do governo.

 "Se tiver que aumentar CSLL, vamos fazer isso, mas lá na reforma tributária. O que acreditamos é que este tipo de discussão, que é um aumento de receita fiscal para o governo, deveria ser discutida na reforma tributária e não na reforma da previdência, que deve se concentrar basicamente na redução de despesas", argumentou.

Crédito imobiliário

O Bradesco, vice-líder em financiamentos imobiliários no País, não reduzirá as suas taxas de juros como fez há poucos dias a Caixa Econômica Federal, líder desse mercado, mas está disposto a negociar taxas especiais em alguns casos.

 "Estamos abertos a discutir e negociar com os clientes qualquer taxa, inclusive tão baixas ou até menores que as da Caixa Econômica Federal se for o caso", disse Lazari. "Mas seria uma avaliação caso a caso, e não um movimento amplo (de corte de juros) do banco. Temos que preservar sempre a saúde da carteira, rentabilidade do banco e o retorno para o nosso acionista", ponderou.

A Caixa anunciou no início deste mês a redução nos juros no financiamento da casa própria. A maior taxa cobrada caiu de 11% mais Taxa Referencial (TR, atualmente em zero) para 9,75% mais TR. A menor taxa, que é paga por quem tem relacionamento com a instituição, foi reduzida de 8,75% mais TR para 8,5% mais TR. Os financiamentos no Bradesco, por sua vez, partem de 8,95% ao ano mais TR, para imóveis de até R$ 1,5 milhão, e de 9,45% mais TR para os que custam acima disso.

Lazari estimou que a carteira de crédito imobiliário do Bradesco deve crescer em torno de 10% a 15% em 2019, embora essa não seja uma meta formal (guidance). "Todos os meses estamos desembolsando mais de R$ 1 bilhão, considerando os financiamentos só para as pessoas físicas. Então esperamos que essa carteira cresça mais de dois dígitos", disse.

 Se a estimativa se confirmar, a carteira de crédito imobiliário terá um crescimento acima da média das demais modalidades de financiamento do banco. Segundo Lazari, a projeção oficial para a carteira do Bradesco é de expansão na ordem de 9% a 13% em 2019, meta que foi mantida a despeito do desempenho mais fraco do que o esperado para a economia brasileira.

 Nos primeiros quatro meses de 2019, a Caixa liderou a concessão de empréstimos para a compra e a construção de moradias, com desembolsos de R$ 5,901 bilhões. Em seguida estão Bradesco (R$ 5,053 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 4,547 bilhões), Santander (R$ 3,534 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 1,664 bilhão), de acordo com ranking da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

 

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