Economia deve desacelerar, mas risco de PIB em queda é pequeno, diz Ipea

Instituto avalia que após um avanço de 1,5% do PIB no 2º trimestre, é normal um crescimento menor

Antonio Pita, da Agência Estado,

26 de setembro de 2013 | 17h21

RIO - A economia brasileira deve desacelerar no segundo semestre de 2013, após registrar um pico de crescimento no segundo trimestre deste ano. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou nesta quinta-feira sua "Carta de Conjuntura", análise referente ao período compreendido entre os meses de abril e junho.

De acordo com Fernando Ribeiro, coordenador do estudo, o crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre ante o período imediatamente anterior foi importante para uma recuperação em relação aos baixos níveis de 2012, mas "é normal nos trimestres seguintes ter um crescimento mais fraco e uma acomodação."

Na avaliação do pesquisador, os indicadores recentes da economia sinalizam uma desaceleração. A produção industrial está em tendência de queda e os índices de confiança de empresários e consumidores também estão em baixa. O pesquisador cita ainda sinais de perda de dinamismo do mercado de trabalho, com um ritmo mais lento na criação de novas vagas.

"Paramos de ter crescimento expressivo no ganho real dos salários, e isso impacta mais no nível de consumo", afirmou. Também a alta da inflação e a redução do crédito, contribuem para "reduzir o ímpeto para o consumo". Apesar disso, o pesquisador ressaltou que o consumo "não deixa de crescer", em resposta às críticas sobre o esgotamento do modelo de crescimento voltado para o segmento.

Independentemente dos próximos resultados do PIB, o crescimento para o acumulado do ano ficaria em 2,5% apenas pelo efeito "carry over", diz Ribeiro. "Existe algum risco de queda nos próximos trimestres, mas a chance é pequena."

Ribeiro pontuou que a inflação já dá sinais de melhora, sobretudo no segmento de alimentos, e já possui uma menor difusão na economia, o que projeta um cenário favorável para os próximos trimestres. A desaceleração, segundo ele, é efeito da ação do Banco Central sobre a taxa básica de juros, apesar de ele considerar que o ciclo de alta da Selic é maior do que o esperado.

"O Banco Central mudou seu discurso e vem sendo mais enfático em relação ao controle da inflação, para que se aproxime do centro da meta (de inflação) no futuro. Por outro lado, demonstra que está menos preocupado com o desempenho da atividade econômica."

O resultado da balança comercial, que acumulou déficit de US$ 3,7 bilhões no primeiro semestre, também foi destacado pelo economista em função da perspectiva de melhora. "Cerca de 70% do déficit na primeira metade do ano se deveu ao petróleo, que teve alta de importação, queda nas exportações e sofreu ainda o efeito do câmbio", afirmou. Segundo Ribeiro, a tendência de recuperação vem da retomada da produção em plataformas que foram paralisadas para manutenção.

Para o diretor do Ipea, Claudio Hamilton, apesar de todos os indicadores negativos, "a economia não está indo mal, está com crescimento moderado e vai se manter assim." O momento, segundo o pesquisador, é de desafios importantes para a política econômica. "O objetivo seria sustentar o crescimento razoável da economia, com menos ambição", afirma.

Fernando Ribeiro destaca que, para tanto, será preciso equacionar o superávit primário. Segundo ele, o governo precisa estar atento à queda no superávit também dos Estados, o que poderia gerar um acúmulo nas contas federais.

"O espaço fiscal que se tem para adotar novas medidas para acelerar o crescimento é bastante limitado, com a queda das receitas públicas, em função das desonerações tributárias, e a decisão de preservar os gastos sociais, de transferência de renda. Por um lado, o governo precisa investir mais, por outro tem menos receita. O governo anunciou que não fará mais desonerações e tenta ajustar as despesas."

Segundo os pesquisadores, existe a possibilidade de uma retomada da economia a partir do próximo ano, puxada pela recuperação de investimentos que já se vê nos últimos indicadores. "O governo tem jogado as fichas para 2014, apostando nas concessões de infraestrutura", afirmou Hamilton. "É um pacote bastante significativo, com licitações importantes que vão impactar a economia nos próximos trimestres. Os investimentos estruturais não acontecem da noite para o dia."

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