Edu Andrade/ Ministério da Economia
Edu Andrade/ Ministério da Economia

Economia deve pegar sequência de 4 a 5 anos de crescimento forte, diz Guedes

Para o ministro, apenas os 'negacionistas' ignoram a retomada rápida, na forma gráfica de 'V', da economia brasileira após o choque da pandemia da covid-19

Eduardo Laguna e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 20h23

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, 3, que a atualização de marcos regulatórios, como os de saneamento e do gás, junto com o avanço da agenda de reformas, vai abrir uma nova fase de crescimento da economia brasileira baseado em investimento.

“A economia deve pegar uma sequência de quatro a cinco anos de crescimento forte”, disse Guedes ao participar de um encontro promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).  

O ministro projetou que, após a queda de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) prevista para este ano, o País deve crescer entre 3,5% e 4% em 2021, mas ainda numa retomada de natureza cíclica, em que o crescimento se dá com a reutilização de capacidades que ficaram ociosas após o choque da pandemia.

Para ele, apenas os "negacionistas" ignoram a retomada rápida, na forma gráfica de "V", da economia brasileira após o choque da pandemia da covid-19. "Temos bons sinais de volta em 'V'. Só os negacionistas refutam a evidência empírica de que a economia voltou em 'V'. Quem tem familiaridade com números e dados entende que voltou em 'V'"

Em "V" significa que a retomada é no mesmo ritmo acelerado da queda. O crescimento de 7,7%  do PIB no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores se segue ao recuo de 1,5% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2019 e ao tombo, também recorde, de 9,6% no segundo trimestre.

O resultado divulgado nesta quinta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) veio abaixo das estimativas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de 8,80%.O Ministério da Economia projetava expansão de 8,3% no terceiro trimestre em relação ao período anterior.

"O sinal mais importante é de que a economia está voltando. Não há frustração. A informação objetiva que sai disso daí é que o Brasil está crescendo forte", afirmou o ministro. Ele disse que a recuperação da economia está sendo generalizada, destacando o desempenho da indústria e dos investimentos no terceiro trimestre.

Segundo Guedes, a revisão para cima dos resultados dos trimestres anteriores levou a uma base maior, que explica o resultado abaixo do esperado no período de julho a setembro. O ministro também citou as revisões do PIB ao dizer que ficou comprovado que a economia cresceu mais no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro do que nos dois anos anteriores, no governo de Michel Temer.

"No primeiro ano, a economia cresceu mais do que em cada um dos últimos dois anos do governo anterior", defendeu Guedes, lembrando que o começo do mandato também foi afetado pelos impactos na economia decorrentes da tragédia de Brumadinho e da crise da Argentina.

Guedes disse que o PIB caminha para fechar o ano com queda de 4,5%. Ainda que menor do que as primeiras projeções, feitas quando a covid-19 se abateu sobre a economia, se confirmada, será a maior queda anual da história - a mais intensa até hoje foi registrada em 1990 (-4,35%), na série histórica iniciada em 1901.

O ministro sustentou que o País vive uma recuperação "cíclica", que deve levar o Brasil a crescer entre 3,5% a 4% em 2021. Segundo ele, a recuperação cíclica deve gradualmente dar lugar a uma retomada sustentável, à base de investimentos, na sequência das atualizações que estão sendo feitas em marcos regulatórios em setores como saneamento e gás.  "Vamos transformar o empurrão em consumo numa retomada de crescimento à base de investimentos", salientou Guedes.

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