Economia deve viver período de volatilidade

Havia alguma razão técnica, nesta quinta-feira, 3, nos mercados, para um dia menos pessimista para os negócios – caso da aprovação da nova meta fiscal para 2015, a manutenção de vetos presidenciais a pautas-bomba do Congresso e a acomodação de uma possível reintrodução da CPMF no projeto orçamentário de 2016 –, mas nada nos fundamentos econômicos sustentavam tanta euforia.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 21h42

Na contramão do movimento registrado nas praças internacionais, nesta quinta-feira, no entanto, a Bolsa brasileira disparou e o dólar à vista despencou.

É evidente a vinculação da reação dos mercados domésticos à abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, numa réplica do que ocorreu no segundo semestre de 2014, com o desenrolar do período eleitoral.

Também naquela ocasião, a cotação de ações e do dólar se movia impulsionada pelos combustíveis das pesquisas eleitorais, com altas quando Dilma descia nas pesquisas e baixas quando a candidata à reeleição subia nas intenções de voto.

Que não será tão simples assim daqui até o fim do processo de impeachment, ninguém deveria duvidar. Ainda não está claro quanto tempo a novela vai durar, mas é certo que o suspense estará presente em muitos capítulos e as idas e vindas serão frequentes.

Nos mercados, isso se traduzirá em volatilidade mais intensa. Ativos em alta, quando Dilma balançar e em baixa, quando a presidente parecer se firmar.

No lado real, a economia tende a acompanhar a instabilidade inerente aos desdobramentos políticos de um processo de impeachment presidencial. Isso significa que deve predominar, entre empresários e consumidores, uma atitude ainda mais defensiva do que já vêm adotando. Consumo e investimento, afetados por piora nos índices de emprego, inflação, crédito e confiança ainda atuarão puxando a economia para baixo. Se a atividade econômica já estava parada, pelo menos até o desfecho do caso é que não sairá desse estado.

Em essência, portanto, alterações nos rumos da economia aguardarão a solução da crise política. Como a tendência ainda é de aprofundamento da retração, com um provável e inédito encolhimento do PIB de 7%, no biênio 2015-2016, o processo de impeachment pode contribuir para adiar a entrada em cena dos elementos capazes de dar início à reversão da crise econômica mais longa e profunda em pelo menos três décadas, projetada para 2017.

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