Economia do governo supera metade da meta

Investimento menor e arrecadação mais robusta são os dois fatores apontados para o bom resultado nos primeiros cinco meses do ano

Eduardo Rodrigues/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

A freada nos investimentos e o forte desempenho da arrecadação ajudaram o governo a fechar os cinco primeiros meses do ano com uma economia para pagamento de juros da dívida pública equivalente a 56% da meta estabelecida para todo o ano. Para o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o resultado é "absolutamente eloquente" e indica um cenário "bastante favorável" para as contas em 2011.

Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - o chamado governo central - acumularam de janeiro a maio um superávit primário de R$ 45,45 bilhões, o equivalente a 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB).

A meta de economia fixada para os três órgãos este ano é de R$ 81 bilhões. Somente em maio, o resultado primário (diferença entre receitas e despesas, exceto os gastos com juros) foi positivo em R$ 4,1 bilhões.

Segundo Augustin, o desempenho acumulado até maio foi o segundo melhor da série histórica, só perdendo para o resultado de 2008, quando o superávit do Governo Central chegou a R$ 53 bilhões nos primeiros cinco meses daquele ano. "A tendência é de um ano que se aproxima de 2008, quando o governo fez uma economia superior à meta, e depositou o excedente no Fundo Soberano", disse o secretário.

As despesas do governo central cresceram 9,1% de janeiro a maio, na comparação com o mesmo período de 2010. Já as receitas avançaram 17,4% na mesma comparação. De janeiro a maio do ano passado, as despesas haviam crescido 18,5% em relação ao ano anterior, ritmo superior ao desempenho das receitas, que até então apuravam aumento de 17,9%.

Freio. A redução no ritmo de expansão dos gastos este ano pode ser explicada pelo freio nos investimentos do governo. Até maio, foram gastos R$ 16,9 bilhões, um avanço de apenas 1% em relação aos cinco primeiros meses de 2010. Além disso, pelo quinto mês consecutivo, o ritmo de expansão dos investimentos diminuiu. Em janeiro, a comparação com 2010 mostrava um crescimento de 85%, que caiu para 25% no primeiro bimestre, para 9% no primeiro trimestre e encerrou o quadrimestre em 5%.

Apesar dessa sequência de quedas, Augustin negou que o governo esteja segurando os investimentos para fazer superávit primário. "Não há contenção dos investimentos. O que ocorre são questões de calendário", argumentou.

Segundo ele, a base de comparação é muito alta, porque o governo foi obrigado a realizar mais investimentos no primeiro semestre do ano passado, devido às eleições na segunda metade do ano. Até maio de 2010, os investimentos cresciam 70% em relação ao mesmo período de 2009.

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