Economia do País é das mais protecionistas do mundo, diz Bird

Brasil ocupa 92º lugar em ranking elaborado pelo Banco Mundial sobre o perfil comercial dos países

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

17 de junho de 2008 | 13h09

O Brasil tem ainda uma das economias mais protecionistas do mundo e, mesmo com uma pauta de exportações considerada como exemplar, sua integração da economia nacional no mercado externo é uma das menores registradas. A avaliação é do Banco Mundial que nesta terça-feira, 17, publicou um relatório em que faz uma avaliação detalhada do perfil comercial de cada país.  No ranking que mede as barreiras às importações, o Brasil ocupa apenas a posição de número 92, superado pela China, Paraguai, Chile, Uruguai, Rússia, Bolívia e Venezuela. Já a Argentina vem na posição de número 96.  A liderança no ranking é de Hong Kong e Cingapura, que praticamente não aplicam tarifas de importação. A Suíça vem na terceira colocação, seguida por Turquia, Papua Nova Guiné. Os americanos estão apenas na 11ª colocação, enquanto a UE ocupa a 21º lugar no ranking. Em termos de política comercial, o Banco Mundial destaca que "o regime tarifário brasileiro é mais protecionista que a média da América Latina ou dos países de renda média no mundo". Segundo avaliação, a média tarifária é de 8,7% e a tarifa mais alta é de 35%, considerada pelo Banco como baixa. Mas no que se refere à média da tarifa aplicada, a taxa chega a 12,2%, acima da média regional. Outro problema são as barreiras não tarifárias, que afetam 46,1% das linhas tarifárias. Na América Latina, essas medidas afetam apenas 35% dos produtos. Segundo o Banco Mundial, portanto, ao avaliar toda a política comercial brasileira, a constatação é de que setores ainda contam com a proteção criada pelo estado. O Banco Mundial admite que o Brasil vem liberalizando seu setor de serviços, como telecomunicações, serviços financeiros e a portos e aeroportos.  Ambiente   Mas a entidade alerta que as condições para fazer negócio no Brasil ainda são complicadas. O País caiu no ranking que mostra as facilidades para se abrir e fechar empresas, além de avaliar o cumprimento de contratos. Em 2006, o País estava na 113a posição entre 178 avaliados. Neste ano, caiu para 122. "Isso reflete o ambiente complicado", alertou o Banco Mundial. Em termos de eficiência administrativa, a entidade aponta para uma degradação da situação no País.  Já em termos de logística, o Brasil não se saiu tão mal, ficando em 61o lugar entre 151 países avaliados. O resultado é o melhor de toda a América Latina e acima da média dos países de renda média. O País se saiu bem no que se refere à rapidez nas entregas. Mas ainda mostra graves falhas no que se refere à eficiência das aduanas e outros procedimentos de fronteira. O Brasil está apenas na 93a posição no ranking que mede a facilidade para que bens cruzem as fronteiras. Com o resultado, o Brasil caiu 23 posições no ranking em relação a 2006. O motivo: "a lentidão nos processos de exportação". Por container exportado, o custo administrativo pode ser superior a US$ 1 mil. Já uma importação leva em média 22 dias para ser liberada.   Exportações   Apesar dos problemas, o Brasil ficou na 32a posição entre os países que mais registraram uma alta das exportações. Em 2007, a taxa chegou a 11,3%, acima da média regional de 7,5%. Mas as exportações brasileiras agrícolas sofrem barreiras significativas para entrar nos mercados estrangeiros. No ranking que mede acesso aos mercados, o Brasil ocupa a 63 posição entre 125 economias.  Integração  Mas a diversificação no Brasil não significa que o País esteja entre os mais integrados do mundo. O comércio na Europa Central, por exemplo, equivale a 105% do PIB da região. Os mais integrados são Cingapura, Hong Kong e Malásia. A integração, segundo o levantamento, é calculado como base no peso do comércio externo do País em relação ao PIB. Já países com grandes mercados domésticos, como Brasil, Índia, Austrália e Estados Unidos, contam com taxas mais baixas. Japão, Estados Unidos e Brasil estariam entre as três economias menos integradas. O comércio representa apenas 25,9% do PIB brasileiro.  A América Latina é ainda a região que teve o menor crescimento do peso do comércio no PIB na última década, com alta de apenas 6%. Já o Oriente Médio teve uma alta de 39% nesse índice, contra 21% nos países ricos.  A estrutura do comércio mundial também foi substancialmente modificado nos últimos anos. A participação da agricultura, por exemplo, diminuiu em 31% em uma década. Já as exportações de bens manufaturados aumentaram para 34% de tudo o que é comercializado no mundo. O peso das exportações de minério também aumentou, principalmente na América Latina. No total, as vendas de minérios e petróleo passaram de 14% para 25% do total exportado pela região em uma década.

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