Fabio Motta/Estadão - 13/7/2018
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Coluna

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Economia do Rio patina e recuperação deve vir com petróleo e gás

Segundo estimativa da Firjan, PIB do Estado vai ficar abaixo do crescimento para a economia do País; em 2020, porém, atividade local deve superar a nacional puxada pela indústria extrativa

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2019 | 08h41

RIO - A recuperação da economia do Rio, que enfrentou uma recessão mais severa e prolongada do que o País como um todo, será puxada pelo setor de petróleo e gás. A indústria extrativa, que inclui a produção de petróleo, já puxou o avanço de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Rio no terceiro trimestre, na comparação com o segundo trimestre, conforme estimativas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), obtidas com exclusividade pelo Estado. A entidade espera crescimento de 2,1% na economia fluminense em 2020, acima do 1,9% estimado para o PIB nacional.

Nas projeções da Firjan, a economia fluminense fechará 2019 com avanço de 0,9%, abaixo do crescimento de 1,1% do PIB nacional apontado pelas estimativas compiladas pelo Banco Central (BC) no Boletim Focus. Se confirmadas as contas da Firjan, será o terceiro ano seguido em que a economia fluminense terá desempenho abaixo do nacional. Enquanto o PIB brasileiro registrou dois anos seguidos de queda (2015 e 2016), no Rio, foram três anos de retração (2015 a 2017).

“A crise econômica passou pelo problema fiscal”, afirma Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan, responsável pelas projeções do PIB fluminense, a partir de outros dados, como produção industrial, vendas do varejo e atividade de serviço. “A crise fiscal do Estado do Rio foi mais complexa”, completou Goulart.

Com elevada conta de Previdência e receita dependente dos royalties do petróleo, o Rio é destaque absoluto na crise fiscal dos Estados, com atrasos de salários e no pagamento de fornecedores, medidas de ajuste e a adesão ao programa de socorro federal criado no governo Michel Temer, o Regime de Recuperação Fiscal (RRF). 

Se a saída da crise econômica e fiscal passará pela retomada do setor de petróleo e gás, o tombo dessa atividade também foi decisivo para a recessão mais prolongada do Rio. A forte queda nas cotações do barril de petróleo, em 2015 e 2016, e as dificuldades financeiras da Petrobrás, atingida por excesso de endividamento, investigações de corrupção e pelo próprio preço do petróleo, fomentaram a crise econômica.

Agora, com a alta recente das cotações do barril, os ajustes feitos na Petrobrás e a volta dos leilões de áreas para exploração de petróleo e gás, atraindo investimentos de outras petroleiras, é natural que a retomada econômica do Rio se dê a reboque da indústria petrolífera, disseram economistas. Tanto que o mercado de trabalho do setor já voltou a contratar. 

“O PIB é o valor agregado por todos os setores, então, apenas o aumento da produção de petróleo em si, já tem impacto positivo nas estatísticas”, afirma o professor Edmar Almeida, pesquisador do Grupo de Economia da Energia (GEE) do Instituto de Economia da UFRJ.

Para a produção de petróleo e gás não ficar só num impulso inicial ao crescimento, é preciso que a indústria petrolífera gere demanda em cadeia. Segundo o professor Almeida, a mola propulsora é a retomada dos investimentos. Nos estudos iniciais, há demanda por serviços de geologia, geofísica e análise de dados. A fase de exploração e desenvolvimento dos campos - antes da produção propriamente dita - gera mais demanda por insumos, como produtos químicos, máquinas e equipamentos, e por serviços complexos, como logística off-shore.

Segundo Goulart, economista da Firjan, quando esse “ciclo virtuoso” começa a girar, a geração de empregos ganha força não só no setor, mas em serviços associados, como alimentação e hospedagem. Mais empregos geram mais consumo, espalhando o impulso econômico para o varejo e os serviços em geral. Para Goulart, esse processo tende a ser lento, mas sustentado. Por causa da crise fiscal, será puxado pelo setor privado, sem espaço para políticas de fomento.

Para o economista Mauro Osório, coordenador do Observatório de Estudos sobre o Rio de Janeiro da UFRJ, o ciclo pode ficar só no impulso inicial da produção de petróleo se não vier junto de políticas públicas. Segundo o professor, muitos fornecedores do setor de petróleo na indústria de transformação estão localizados fora do Estado do Rio e o bom uso das receitas com royalties do petróleo pode atrair investimentos, evitando erros do passado, como cidades do norte fluminense que, no início dos anos 2000, gastaram até em calçadões de porcelanato. “É preciso ter uma estratégia para adensar a cadeia do complexo de petróleo e gás”, diz Osório.

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