Win McNamee/ AFP
Win McNamee/ AFP

Economia dos EUA cria 20 mil vagas de trabalho em fevereiro, bem abaixo das previsões

Previsão de economistas era criação de 185 mil vagas; apesar da pequena geração de empregos, taxa de desocupação caiu para menos de 4% e houve crescimento de salários

Reuters

08 de março de 2019 | 15h58

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos quase estagnou em fevereiro, com a economia criando apenas 20 mil postos de trabalho em meio a perdas de postos na construção e em vários outros setores, o que pode aumentar as preocupações com uma desaceleração acentuada da atividade econômica.

A moderação na criação de vagas divulgada pelo Departamento do Trabalho nesta sexta-feira está em linha com a desaceleração da economia, que em julho marcará 10 anos de expansão, mais longo período já registrado.

Embora a criação de vagas em fevereiro tenha sido a mais fraca desde setembro de 2017, outros detalhes do relatório de emprego foram fortes. A taxa de desemprego caiu de novo abaixo de 4% e o crescimento anual dos salários foi o melhor desde 2009.

Além disso, os dados de dezembro e janeiro foram revisados para mostrar 12 mil vagas a mais do que divulgado anteriormente.

Economistas consultados pelo Estadão/Broadcast esperavam criação de 185 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado e que a taxa de desemprego caísse a 3,9%.

A desaceleração provavelmente refletiu a perda de força do impulso relacionado ao clima nos dois meses anteriores e ao fato de os trabalhadores se tornarem mais escassos.

Apesar das fraquezas nas contratações no mês passado, a taxa de desemprego caiu em fevereiro 0,2 ponto percentual, a 3,8% uma vez que os trabalhadores do governo federal que ficaram temporariamente desempregados durante os 35 dias de paralisação parcial voltaram a trabalhar. A mais longa paralisação na história dos EUA terminou em 25 de janeiro.

O ganho médio por hora subiu 11 centavos, ou 0,4% em fevereiro, em parte devido a afeitos de calendário, depois de subir 0,1% em janeiro. Isso elevou o aumento anual nos salários para 3,4%, maior ganho desde abril de 2009, de 3,1% em janeiro.

O setor de construção fechou 31 mil vagas, maior número desde dezembro de 2013, após criação de 53 mil em janeiro. Os setores de lazer e hotelaria não abrir postos no mês passado.

Trump comemorou queda no desemprego entre as mulheres

No Dia Internacional da Mulher, o presidente dos EUA, Donald Trump, foi ao Twitter para comemorar a queda na taxa de desemprego entre profissionais do sexo feminino. "As coisas estão parecendo boas!", disse, destacando que a taxa de desemprego entre mulheres baixou de 7,9% em janeiro de 2011 para 3,6%.

Trump não fez comentários sobre a geração de empregos nos EUA em fevereiro, que segundo o Departamento do Trabalho do país foi de apenas 20 mil vagas, número consideravelmente abaixo da mediana de 185 mil vagas projetada por analistas consultados pelo Estadão/Broadcast.

Economista do governo minimiza geração pequena de empregos

Diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, Larry Kudlow minimizou o número de geração de vagas de fevereiro. Segundo ele, trata-se de algo "casual" e os investidores não devem prestar atenção a ele.

Kudlow argumentou que os dados mensais trazem ruído e que é mais importante olhar a tendência, que segue positiva na geração de vagas. Além disso, destacou a queda na taxa de desemprego e o crescimento nos salários, comentando a maior presença das mulheres na força de trabalho e que a produtividade avança em ritmo saudável.

O economista do governo do presidente Donald Trump disse que o mês de fevereiro foi ainda afetado pela paralisação parcial do governo e por questões climáticas. Ainda assim, ressaltou que os EUA são a economia que mais cresce no mundo, entre as principais. Ele comparou o quadro com o da Europa, onde, para ele, não resolverá a oferta de mais dinheiro barato, como fez nesta quinta-feira, 7, o Banco Central Europeu (BCE). Kudlow defendeu que é preciso haver mudanças nas regulações trabalhistas europeias e menos impostos, para estimular de fato a economia da zona do euro./ COM GABRIEL BUENO DA COSTA

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