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Economia dos EUA decepciona no trimestre

Crescimento do PIB de 2,5% ficou abaixo do esperado; expectativa dos economistas para o segundo trimestre que é de um resultado mais fraco

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h07

A economia americana conseguiu se recuperar do fraco desempenho do final de 2012 no início desde ano, mas cresceu menos que o previsto e pode ter um desempenho ainda mais fraco no segundo trimestre, avaliam economistas consultados pelo 'Broadcast', serviço de notícias em tempo real da 'Agência Estado'. O impacto dos cortes automáticos de gastos públicos na atividade econômica deve ser mais acentuado nos meses de abril e maio e o Bank of America Merrill Lynch já aposta em uma expansão de apenas 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o período.

Dados preliminares divulgados nesta manhã pelo Departamento de Comércio mostram que os EUA cresceram 2,5% no primeiro trimestre, depois de uma expansão de apenas 0,4% no final de 2012, com a economia abalada pela passagem do furacão Sandy na costa Leste.

A expectativa de Wall Street, porém, era de uma expansão na casa dos 3% para o PIB entre janeiro e março. O governo dos EUA divulga nas próximas semanas mais duas revisões do número anunciado ontem.

Nas estatísticas divulgadas ontem, o destaque foi o consumo privado, que aumentou 3,2% e ajudou a puxar o crescimento do PIB no primeiro trimestre. Foi a maior taxa de expansão do consumo em dois anos, mas os analistas não veem ela se repetindo no segundo trimestre. Dentro do consumo, a surpresa foi os gastos com serviços, que registraram o nível mais alto desde 2005, sobretudo com despesas ligadas ao setor imobiliário, refletindo a recuperação da construção civil.

Preocupados com os efeitos na economia do corte de gastos do governo, o mercado de emprego ainda fraco e o aumento de impostos, os americanos devem reduzir o ritmo de gastos e poupar mais, o que deve repercutir diretamente no patamar de expansão da economia, avalia o economista-chefe do instituto Markit, Chris Williamson. "É muito provável que esse nível de crescimento do consumo não vá se manter no segundo trimestre."

Consumidor. O índice de sentimento do consumidor calculado pela Universidade de Michigan e divulgado ontem revela essa preocupação dos consumidores. O indicador mostra que a confiança dos consumidores caiu em abril para o menor nível em três meses. Além da confiança abalada dos consumidores, o economista da ITG Investment Research, Steve Blitz, chama atenção que o mesmo vem ocorrendo com os empresários e ressalta que o investimento privado também se desacelerou no primeiro trimestre.

Se o consumo deve se desacelerar, a mesma previsão ocorre para os gastos públicos. A economista do BoFA Merrill Lynch, Michelle Meyer, destaca em um e-mail que os gastos do governo, depois de recuarem 7% no quarto trimestre de 2012, caíram mais 4,1% no começo deste ano e a tendência é de mais quedas, sobretudo como reflexo dos cortes automáticos. Esse recuo tem sido puxado pela redução dos gastos com defesa, em meio à estratégia de retirar tropas de zonas de guerra.

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