Economia dos EUA enfraquece com queda no consumo, diz Fed

Segundo Livro Bege, do BC norte-americano, demanda por crédito caiu e padrões para empréstimos apertaram

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

16 de abril de 2008 | 15h38

A economia dos Estados Unidos se enfraqueceu em março com os consumidores restringindo os gastos e as empresas enfrentando custos mais altos, segundo revelou o mais recente Livro Bege, do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) - sumário das condições econômicas atuais que irão servir de base para a decisão de política monetária da próxima reunião marcada para os dias 29 e 30.   Veja também: As grandes crises econômicas  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar   De acordo com o Livro Bege, a demanda por empréstimo ao consumidor caiu e os padrões de exigências de crédito ficaram mais apertados. Os mercados de mão-de-obra também se enfraqueceram. A mais recente edição do relatório foi preparada pelo Fed de Nova York e reflete os dados coletados do final de fevereiro até início de abril.   "Os informes dos 12 distritos do Fed indicam que as condições econômicas se enfraqueceram desde o último relatório", diz o Livro Bege. "Nove distritos observaram desaceleração no ritmo da atividade econômica, enquanto os outros três - Boston, Cleveland e Richmond - descreveram a atividade como desigual ou estável."   Os gastos e consumo enfraqueceram na maior parte do País. O turismo foi no geral descrito como forte. A demanda por serviços de transportes, no geral, foi caracterizada como fraca. As empresas e os serviços de saúde se expandiram, segundo o relatório. Por outro lado, as tendências para o setor industrial foram variadas.   Os informes sobre o segmento imobiliário e de construção foram anêmicos, no geral, para o setor residencial. A atividade no segmento comercial desacelerou, segundo o Livro Bege. "As instituições financeiras em muitos distritos indicaram alguma desaceleração na demanda por empréstimos ao consumidor, padrões de crédito mais apertados e deterioração na qualidade dos ativos", diz o relatório. As condições do setor agrícola melhoraram. A atividade foi forte no setor de energia.   Os mercados de mão-de-obra foram descritos principalmente como em enfraquecimento desde o relatório anterior, divulgado em 5 de março. Uns poucos distritos reportaram a existência de escassez de trabalhadores qualificados e alguns observaram pressão salarial. "Algum enfraquecimento no mercado de emprego foi reportado nos distritos de Nova York, Atlanta, Chicago, St. Louis e Minneapolis", diz o relatório.   "Cleveland reportou níveis de emprego estáveis, enquanto Richmond indicou tendências desiguais", segundo o Livro Bege. "Boston e Kansas City indicaram aumentos modestos no emprego, com alguma desaceleração indicada no último. Empresas nos distritos de Filadélfia, Atlanta e Minneapolis informaram demissões, redução das horas trabalhadas ou congelamento das contratações em resposta à atual ou expectativa de desaceleração na atividade econômica", de acordo com relatório.   Empresas em todos os distritos informaram aumentos nos custos de insumos. "Em particular, aumentos de preços foram consistentemente informados para produtos alimentícios, combustíveis e produtos de energia e muitas matérias-primas", segundo o Livro Bege. Muitas indústrias aumentaram ou planejam elevar os preços. A resposta das empresas do setor de serviços tem sido mais desigual. "No cômputo geral, os custos de insumo subiram mais rapidamente que os preços da produção, colocando pressão sobre as margens para muitas empresas", diz o relatório. Por outro lado, a maioria dos distritos informou poucas mudanças no setor de varejo.

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