Economia dos EUA prejudica mercado; Bovespa cai 2,57%

O mercado imobiliário dos Estados Unidos assumiu definitivamente o foco de instabilidade e atenção para o mercado financeiro. Nesta terça-feira, dia 13, o governo norte-americano divulgou que as taxas de atrasos em pagamentos no quarto trimestre de 2006 subiram para 14,44% e a taxa de residências entrando em processo de execução de hipoteca atingiu o recorde de 0,54% no período.O centro do problema está no mercado de crédito imobiliário voltado para a população americana com histórico de calote, conhecido como subprime. A Associação de Bancos Hipotecários (MBA na sigla em inglês) registrou que 4,53% dos 5,97 milhões de empréstimos subprime estavam em processo de execução de hipoteca no fim do quarto trimestre, ante 3,86% no terceiro trimestre. Já entre os empréstimos prime, apenas 0,50% dos 33,32 milhões de empréstimos estavam em processo de execução de hipoteca, ante 0,44% no terceiro trimestre.Estes números reforçam o clima de cautela nas bolsas de valores nesta terça. Na Europa, as ações fecharam nas mínimas do dia. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, caiu 1%. O índice fechou na mínima. O índice europeu do setor financeiro DJ Stoxx caiu 1,5%.Em Londres, a baixa foi de 1,16%. Em Frankfurt, 1,36%. Em Paris, 1,15%. Em Milão, a baixa foi de 0,81%. Em Madri, as ações caíram 1,16% e em Lisboa, 0,85%.Em Nova York, as bolsas também estão em queda. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York - opera em queda de 1,48% às 15h50. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - cai 1,62%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanha a tendência internacional de queda e recua 2,57%.Empresa sinalizou problemaNa segunda-feira, a New Century Financial Corp. anunciou que teve suas linhas de crédito cortadas no mercado financeiro. A New Century é a segunda maior financiadora de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos a clientes com passado de crédito duvidoso. À frente dela está apenas o banco HSBC.Como outras geradoras de financiamento hipotecário, a New Century depende dos recursos de instituições de Wall Street e de bancos comerciais para repassar a seus clientes. Ontem, porém, a empresa notificou a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) que todos os bancos que mantinham linhas de empréstimos à companhia suspenderam os financiamentos.A New Century disse ainda que não espera realizar os pagamentos demandados por seus credores, o que poderá levá-la para a Corte de Falências ou até diretamente para uma liquidação. As ações da empresa foram suspensas do pregão da Bolsa de Nova York.A agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) rebaixou o rating (classificação) da New Century para CC, de CCC. A nota continua em observação com perspectiva negativa. "A mudança no rating reflete a inabilidade da New Century em continuar a originar novos empréstimos, em conseqüência de sua capacidade severamente comprimida de financiamento", disse o analista de crédito da S&P Adom Rosengarten.Essa situação é, em grande parte, resultado das restrições aos cedentes de empréstimos da companhia no acesso aos financiamentos, afirmou a S&P. Além disso, a agência lembrou que a companhia está diante de uma chamada de margem (pedido de garantia) sobre empréstimos de US$ 150 milhões, a qual cumpriu com apenas US$ 80 milhões.De acordo com a S&P, não há informação disponível relacionada à habilidade da companhia de cumprir com os restantes US$ 70 milhões. "Não está claro como a empresa superará essa situação estressante no que diz respeito à sua reputação e sustentabilidade financeira", observou a agência.Também ontem, o Countrywide Financial, que também atua no setor, informou que o volume de empréstimos subprime realizados em fevereiro caíram, depois de apertar os critérios de empréstimos como resposta ao aumento no número de calotes nesses financiamentos.HistóricoOs temores com as empresas especializadas no segmento subprime começaram a surgir com a desaceleração do mercado imobiliário americano. Segundo a revista Economist, quase três dúzias de bancos quebraram ou foram vendidos nos últimos meses por causa de empréstimos não recebidos. A edição do último fim de semana da revista traz uma reportagem que analisa a questão.O jornal The New York Times também publicou reportagem sobre o tema, que termina citando um estudo realizado por dois professores da Drexel University´s LeBow College of Business. Segundo eles, "a redução dos recursos para títulos ancorados em hipotecas para residências pode machucar a economia dos EUA".

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