Economia dos EUA tem contração de 2,9% no primeiro trimestre

Após revisão do dado, queda do PIB norte-americano foi mais acentuada do que o avaliado anteriormente

Agência Estado

25 de junho de 2014 | 09h45

A economia dos EUA teve uma contração pior do que estimada anteriormente no primeiro trimestre, marcando o resultado negativo mais acentuado desde que a recessão acabou no país há cinco anos. O Produto Interno Bruto (PIB), a medida mas ampla de bens e serviços produzidos em uma economia, teve uma contração a uma taxa anual sazonalmente ajustada de 2,9% nos três primeiros meses do ano, de acordo com a terceira estimativa publicada pelo Departamento do Comércio. Esta foi a maior queda desde o primeiro trimestre de 2009, quando a atividade recuou 5,9%.

O Departamento do Comércio havia estimado na leitura anterior que o PIB havia caído 1,0% no primeiro trimestre, tendo em vista que as indústrias manufatureiras reduziram estoques, em vez de produzir novos bens. Além disso, o clima severo do inverno nos EUA manteve os consumidores dentro casa e levou ao fechamento temporário de alguns locais de trabalho. As exportações também caíram após um aumento no ano passado. Na primeira estimativa, o PIB dos EUA foi mostrado com crescimento de 0,1%.

Na terceira leitura do dado, com base em novos números disponíveis, o Departamento do Comércio informou que, no primeiro trimestre, os gastos dos consumidores e as exportações ficaram ainda mais fracas do que o estimado anteriormente.

Economistas consultados pelo The Wall Street Journal haviam previsto que o PIB seria revisado para uma queda menor, de 2,0%.

A contração da economia nos primeiros três meses do ano frustrou, mais uma vez, a esperança de que a recuperação estava ganhando tração. Os primeiros dados do segundo trimestre, porém, indicam que a economia melhorou na primavera norte-americana, uma vez que o clima mais quente ajudou a liberar parte da demanda reprimida. A Macroeconomic Advisers previu recentemente que a economia vai crescer a uma taxa anual de 3,6% no período de abril a junho.

Mas a profundidade do declínio no primeiro trimestre na produção significa que o crescimento ao longo dos primeiros seis meses do ano, provavelmente, ficará aquém da taxa média de expansão da economia, de pouco mais de 2%, observada desde que os EUA saíram da recessão em junho de 2009. Isso está abaixo da taxa de crescimento de longo prazo dos EUA, de pouco mais de 3%.

Em cinco anos de recuperação, a alta taxa de desemprego e a renda estagnada continuam a restringir os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da produção econômica dos EUA. Os gastos dos consumidores cresceram num ritmo de 1% no primeiro trimestre, revisado para baixo em relação à estimativa anterior, de alta de 3,1%. O Departamento do Comércio informou que a revisão para baixo ocorreu principalmente devido a gastos mais fracos com saúde, embora também tenha revisado para baixo a estimativa de gastos com bens.

O investimento residencial, incluindo os gastos com construção de casas, caiu em um ritmo de 4,2% no primeiro trimestre, ante a estimativa anterior de uma queda de 5%. A recuperação do mercado imobiliário, um importante motor de crescimento na recuperação, perdeu rumo no final de 2013 devido ao clima frio de inverno e aumento das taxas de hipoteca.

A queda nas exportações do primeiro trimestre foi revisada para uma taxa de 8,9%, ante baixa anterior de 6%, um novo sinal de um ambiente econômico global desafiador. A recuperação da economia europeia continua anêmica, enquanto o crescimento em mercados emergentes, como a China e o Brasil, perdeu fôlego.

Um grande acúmulo de estoques privados tinha impulsionado o crescimento econômico no final de 2013, mas deixou uma ressaca no início de 2014. Com o objetivo de se livrar do excesso de produção, o setor manufatureiro pressionou estoques no primeiro trimestre. O movimento subtraiu 1,7 ponto porcentual do crescimento, um pouco mais do que o estimado anteriormente de 1,6 ponto porcentual.

A medida do PIB que exclui mudanças nos estoques privados e vendas finais de produtos domésticos caiu a um ritmo de 1,3% no primeiro trimestre, ante uma estimativa inicial de crescimento de 0,6%

Empresas sediadas nos Estados Unidos, por sua vez, registraram lucro ligeiramente superior no período. Os ganhos corporativos depois de impostos, sem valores de estoques e ajustes de consumo de capital, subiu 0,1% no trimestre, revisado para cima em relação ao declínio de 1,3% estimado anteriormente. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
EUAPIB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.