Economia encolheu 1,8% no 2º trimestre, estima FGV

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, grande parte do recuo se deve à redução no consumo das famílias

Idiana Tomazelli / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2015 | 02h03

A economia brasileira teve, entre abril e junho, o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, quando ainda se reerguia da crise internacional. O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 1,8% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, na série com ajuste sazonal, estima o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por meio do Monitor do PIB.

Grande parte do recuo se deve à redução no consumo das famílias. O Monitor emprega igual metodologia e recorre às mesmas fontes de dados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza no cálculo oficial, cujo resultado será divulgado no dia 28.

No acumulado em 12 meses, o PIB brasileiro já acumula retração de 1,2%, nos cálculos do Ibre/FGV. O ritmo segue na direção do esperado por economistas. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, a expectativa é de queda de 1,97% em 2015, o que seria o pior resultado desde 1990.

O consumo das famílias, que no início do ano teve o primeiro recuo desde 2003, deve continuar nessa trajetória no segundo trimestre. Segundo o Ibre/FGV, a demanda dos consumidores caiu 1,5% em comparação a janeiro e março.

"Você tem a redução do poder de compra das famílias com inflação e desemprego juntos. Antes, o consumo de serviços segurava um pouco, mas agora passam a cair também", explica o economista Claudio Considera, que já chefiou a Coordenação de Contas Nacionais do IBGE e hoje é pesquisador associado do Ibre/FGV, onde é responsável pelo Monitor do PIB.

Os bens de consumo duráveis (como automóveis, móveis e eletrodomésticos) são os que mais sofrem. O consumo desses produtos caiu 8,5% em 12 meses até junho, segundo o Monitor. Uma queda nessa magnitude só foi vista em 2003. Os bens semi e não duráveis, por serem mais essenciais, são menos afetados, mas sua demanda também está em desaceleração desde 2013.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), como os investimentos são medidos no PIB, teve queda de 7,3% no segundo trimestre em relação ao primeiro, estima o Ibre/FGV. As importações devem ter baixa de igual magnitude. Os únicos componentes da demanda que registraram resultados positivos foram as exportações, fruto do dólar desvalorizado e o consumo do governo.

Pela óptica da produção, o mau desempenho é espalhado entre as atividades. No segundo trimestre, a agropecuária registrou queda de 2,7%, enquanto a indústria encolheu 4,3% e os serviços tiveram baixa de 0,9%.

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