Economia estável propicia alongamento de prazo das debêntures

Além de incentivar o movimento de captações em reais para as empresas domésticas, principalmente por meio de debêntures, o cenário de estabilidade econômica com queda de juros também está levando a um rápido movimento de alongamento dos prazos para esse tipo de título. "A estabilidade econômica leva a um menor temor de risco sobre o longo prazo e ao mesmo tempo ajuda as empresas a terem resultados mais previsíveis. Com queda dos juros, as empresas tendem a buscar esse tipo de financiamento em prazos mais extensos", avalia o diretor de Corporate Finance do banco Santander, Luiz Fernando Resende. Até a metade do ano passado, a maior parte dos créditos corporativos em reais estava concentrada nos commercial papers (CP), com prazos de 180 a 360 dias. A partir de setembro, na esteira da melhora do cenário econômico, começaram a aparecer debêntures para grandes créditos com prazos de 2 anos. Hoje esse prazo médio de vencimento é de 3 anos.Agora começam a aparecer no mercado operações de 5 anos, a exemplo das emissões anunciadas pela Marlin e pela Telesp Celular. Trata-se de um movimento ainda incipiente, mas diretores de bancos consultados pela Agência Estado afirmam que é crescente o interesse dos clientes por operações com esse prazo. "A confirmação de que passaremos a um novo patamar de prazos dependerá basicamente do sucesso das emissões dessas duas empresas", afirma o diretor de Mercado de Capitais do BankBoston, Roberto Roma.Nesse sentido, afirmam que o resultado do "book building" para a operação da Marlin, que sai no próximo dia 14, será ponto crucial para se medir o apetite do mercado por títulos de renda fixa nesse prazo. "O resultado desse leilão será o verdadeiro termômetro para esse tipo de operação", confirma Roma. Outro indicativo impor tante nesse sentido, que é o resultado da operação da Telesp Celular, deverá sair dentro de um mês e meio a dois meses.Os motivos do alongamento - Um dos fatores que vêm permitindo o alongamento dos prazos para as debêntures de empresas domésticas é o processo de alongamento dos títulos soberanos do Tesouro, base da precificação para as emissões da renda fixa. Ao mesmo tempo, é justamente o ainda tímido volume de títulos públicos de maior prazo no bolo total da dívida mobiliária que traz incertezas quanto ao aumento das emissões para prazos de 5 anos ou mais."O problema é que não há títulos governamentais com prazos tão longos. Existe alguma coisa de cambiais, de IGP-M e de Selic, mas ainda muito pequena dentro do volume total de títulos", explica o diretor de Mercado de Capitais Local do Citibank, Vinícius de Queiroz. No entanto, com o desenvolvimento do mercado secundário de títulos e a tendência de alongamento dos prazos, analistas de renda fixa afirmam que não causaria grande surpresa se empresas domésticas viessem a emitir debêntures de até sete anos ainda neste ano - é claro, num cenário de manutenção da estabilidade, juros em queda e crescimento da economia. Na esteira dos prazos mais longos, os diretores de bancos consultados pela Agência Estado são unânimes ao afirmar que o mercado de debêntures será a grande fonte de financiamento para as empresas domésticas neste ano.Além do cenário estável com queda dos juros, influencia, nesse sentido, a recente valorização do dólar verificada no mercado de câmbio, o que leva as empresas a pensarem duas vezes no custo adicional de hedge (exceção feita às exportadoras "natas", caso de uma Aracruz, que tem hedge natural da quase totalidade de suas receitas em dólar) antes de captar no mercado externo. "Anteriormente você tinha a vantagem de captar em dólares com juros menores e prazos maiores. Agora, com os juros em queda e alongamento dos prazos no mer cado doméstico, você inverte essa tendência: as empresas passam a buscar financiamento no mercado local", confirma o diretor de Corporate Finance do banco Santander, Luiz Fernando Resende.

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