Economia favorável puxa inovação tecnológica

Pesquisa do IBGE mostra que no período 2006-2008, a porcentagem de empresas que inovaram em processos e produtos chegou a 38,6%

Jacqueline Farid e Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A inovação tecnológica aumentou no Brasil nos últimos anos, até mesmo na indústria. A Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), relativa ao período 2006-2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o porcentual de empresas que inovam em processos ou produtos chegou a 38,6% em 2008.

Na pesquisa anterior, relativa a 2005, a taxa de inovação havia sido de 34,4%. Considerando apenas a indústria, a Pintec dá um panorama do aumento em pesquisa e desenvolvimento na última década. Se em 2000 a taxa de inovação no setor era de 31,5%, em 2005 atingia 33,5% e em 2008 subiu para 38,1%.

Embora o investimento total das empresas em inovação tenha alcançado R$ 54,1 bilhões em 2008, R$ 12,8 bilhões a mais do que em 2005, os gastos em relação ao faturamento das empresas permaneceram estáveis em quatro anos: 2,85%.

A gerente da pesquisa, Fernanda Vilhena, atribuiu os números da Pintec a "um momento econômico muito favorável", que influencia a inovação.

"Hoje no Brasil permanece o padrão de fazer inovação com compra de máquinas e equipamentos, daí a ligação estreita entre investimentos e inovação", disse a técnica do IBGE.

Perfil. A Pintec investigou 106,8 mil empresas e, dessas, 100 mil são industriais. A proporção de indústrias inovadoras no Brasil em 2008 superou à da Espanha naquele ano, que era de 31,5%, mas ainda está muito atrás da Alemanha, que tinha 64,7%. Os dois países têm pesquisas similares.

"O resultado foi muito positivo porque é o primeiro a cobrir o período posterior à Lei de Inovação e à adoção dos novos mecanismos de subvenção econômica. Ainda estamos longe de economias como a da Alemanha, mas a Pintec indicou que estamos no caminho certo", comemorou o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Fernandes.

"A cultura da inovação está se multiplicando entre os empresários, embora ainda muito associada à compra de máquinas. É preciso ter bons produtos e bons processos por trás. No entanto, a ligação entre pesquisador e indústria está aumentando, o que pode ser visto no aumento das patentes", diz o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia, Domingos Naveiro.

Segundo o IBGE, um dos principais destaques na indústria foi o segmento farmacêutico, com o desenvolvimento de genéricos.

Também chamaram a atenção a indústria automobilística, de telecomunicações e informática. O setor de alimentos inovou com produtos light, diet e funcionais.

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