Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Economia faz ofensiva e mercado se acalma após aprovação de PEC dos precatórios

Novo secretário do Tesouro mostra números a agentes financeiros para sustentar que proposta é a melhor saída

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Não chega a ser cenário de euforia, mas o mercado financeiro abandonou a espiral negativa na qual embarcou depois que governo e Centrão decidiram furar o teto de gastos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, com a justificativa de bancar o novo programa social de R$ 400.

No rastro da mudança de humor dos investidores, o novo secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, faz uma peregrinação pelo mercado financeiro para defender a PEC como melhor solução para viabilizar o novo programa social, em vez de uma prorrogação do auxílio emergencial com o novo decreto de calamidade, instrumento considerado frágil juridicamente pela sua equipe e com riscos maiores para 2022.

Alívio

A descompressão do mercado veio após a aprovação em segundo turno da PEC pela Câmara, que viu na votação uma redução das incertezas do risco fiscal, mesmo diante da sinalização de que na tramitação no Senado a proposta será alterada. 

O ponto central para a mudança de humor com a PEC foi que a proposta aprovada não ampliou ainda mais o espaço para gastos nem aumentou o valor do Auxílio Brasil – novo programa social, substituto do Bolsa Família – para R$ 500 ou R$ 600, como a ala política queria.

Contribuiu para dissipar as dúvidas a apresentação feita por Esteves e o novo secretário do Tesouro, Paulo Valle, com dados mostrando que a PEC abrirá um espaço de R$ 91,6 bilhões para novos gastos em 2022. O rombo foi dimensionado, e o mercado gosta de previsibilidade, mesmo que as despesas tenham aumentado, relataram interlocutores que participaram dessas conversas e de conferências virtuais.

Encontros

Nesses encontros, Colnago, que assumiu o cargo depois da crise que provocou uma nova debandada na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, tem se mostrado firme na posição de que a PEC é a saída para o impasse orçamentário, segundo relato de participantes obtidos pelo Estadão. Nesta sexta-feira, 12, ele e Paulo Valle terão novos encontros em São Paulo, na XP Investimentos e no BTG.

Além dos dois secretários, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem conversado com parlamentares, embora a investida dele no mundo político seja vista com restrições por integrantes do mercado. Na noite da votação da PEC, Campos Neto jantou com congressistas. A agenda oficial constou que ele tratou de assuntos legislativos. 

No mercado, a avaliação agora é de que houve um estresse exagerado. Um experiente executivo gestor de um fundo de investimento, que falou na condição de anonimato, avaliou que, se o cenário ficar um pouco mais tranquilo, com a pandemia controlada, e o risco de apagão reduzido, os investidores têm mais a perder ficando vendidos na aposta de uma deterioração maior. 

Senado

No Senado, a movimentação é para cortar o espaço de gastos. “O mercado está entendendo que é melhor aprovar o texto da PEC do que não deixar ela passar e vir uma coisa pior, que é um crédito extraordinário com uma MP que vai colocar sei lá quantas coisas”, disse o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM)

Para a senadora Simone Tebet, a tramitação na CCJ vai permitir que a proposta seja analisada. “Lá, encontraremos saída jurídica e constitucional”, disse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.